Desclassificação dos vencedores dá título do Endurance Brasil a Xandinho Negrão

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No topo do pódio, Marcel Visconde e Ricardo Maurício comemoram a vitória no Velopark após a desclassificação de David Muffato e Pedro Queirolo no Império Endurance Brasil (Foto: Bruno Terena/MS2/Divulgação)

RIO DE JANEIRO – Disputadas no último sábado, as 4h do Velopark definiram o campeão absoluto e os títulos das classes do Império Endurance Brasil na complicada temporada de 2020, realizada com menos duas corridas por conta da Pandemia do Covid-19 e uma mudança de última hora nos planos. A etapa final deveria ter acontecido em Santa Cruz do Sul e foi transferida para o Velopark.

Mesmo assim, a Associação dos Pilotos de Endurance (APE) presidida por Henrique Assunção está de parabéns por ter honrado o calendário proposto e encerrar de forma digna um ano difícil para todo mundo. E a final do campeonato acabou em polêmica: por conta de uma punição por irregularidade numa das paradas obrigatórias de box, a dupla David Muffato e Pedro Queirolo, que chegou à frente na quadriculada final completando um total de 220 voltas, acabou desclassificada.

E com isso, o título ficou com Xandinho Negrão, que revezou diversos parceiros na ausência forçada do pai Xandy, por conta de problemas de saúde. O piloto dividiu a Mercedes-AMG GT3 #9 cuidada pela equipe chefiada por Rodolpho Mattheis com Ricardo Zonta, André Negrão, Ricardo Baptista e, no fim do ano, o próprio Xandy voltou e também o veteraníssimo Andreas Mattheis sentou na ‘Merça’ e mostrou que ainda entende do riscado.

“É nosso terceiro ano na categoria e já conquistamos o bi da GT3 e, pela primeira vez, o título na geral. Quero agradecer especialmente ao Andreas, que guiou muito, na chuva e no seco e fez três stints. Ele está de parabéns”, afirmou Xandinho após a prova.

Como vocês puderam notar, o piloto também ganhou o título da GT3, mesmo após a vitória geral na última etapa ficando com Ricardo Maurício e Marcel Visconde, com o Porsche 911 GT3-R da Stuttgart Motorsport.

“A pista estava ruim e nas últimas voltas parecia que a corrida não ia acabar. Estamos contentes por ter vencido e por terminar bem a temporada. Dá um ânimo extra para o próximo ano”, declarou Visconde pouco antes de subir ao pódio. “Perdemos o campeonato por um erro da casa [em Curitiba], mas estou feliz por ter vencido metade das corridas”, completou.

A desclassificação de Muffato/Queirolo custou à dupla do carro #113 o título da classe principal de protótipos, a P1 – a taça parou nas mãos de Henrique Assunção e Andersom Toso, que disputaram todas as seis etapas. Eventualmente, Fernando Fortes e Carlos Kray contribuíram para a conquista e Fortes esteve presente nas duas vitórias do AJR #175 – ambas no Velopark – tanto na geral, na primeira visita do certame à pista gaúcha, quanto no último sábado.

“Demorou para cair a ficha de que alcançamos o título da categoria. Chegamos aqui tratando isso como uma possibilidade remota, mas o problema que o Queirolo e Muffato tiveram acabou nos colocando em condição de alcançar este troféu. E sem dúvida isso só foi possível por conta da força e união do nosso quarteto”, completou Assunção.

Na corrida, que foi disputada em grande parte com chuva e pista molhada, a maioria dos P1 inscritos teve problemas e inclusive o Ginetta dos irmãos Ebrahim sequer conseguiu largar. O carro pole position, com Emílio Padron/Vitor Genz, por exemplo, só completou 31 voltas. A diferença do #175 para o carro da Mottin, segundo na classe, foi de dez giros.

Por isso, não foi surpresa alguma o 4º posto geral conquistado pelos campeões da GT4  – Átila Abreu e Leo Sanchez, que correram com o reforço de Marçal Müller (inscrito também na Ferrari #155 da GT3 Light, na qual deu show nas primeiras voltas). A Mercedes-AMG GT4.R levou a dupla ao título da temporada, somando três vitórias e resultados absolutos sempre entre os três primeiros colocados.

“Este foi nosso primeiro ano no Império Endurance Brasil e terminar a temporada com título logo na estreia é muito gratificante. Só tenho a agradecer a todos que torceram por nós, à minha família, ao Átila e toda a organizção deste campeonato fantástico”, afirmou Sanchez.

“Conseguimos fazer uma grande corrida aqui no Velopark, não só confirmando o título com mais uma vitória, mas também alcançando a quarta colocação na geral, nosso melhor resultado do ano. Estamos muito felizes e agora é trabalhar para o ano que vem. Certamente estaremos de volta e com surpresas”, completou Átila Abreu.

Na GT4 Light, que foi reforçada no correr do ano com a presença dos Ginetta G55, Tuca Antoniazi se fez valer de regularidade e, mesmo com uma Mercedes CLA 45, bem inferior ao modelo britânico em termos de performance, mas mais consistente, levou o título sozinho.

A P2, sem a presença do Sigma, ficou com o trio Ruben Ghisleni/Hardy Kohl Jr./Lucas Kohl, mesmo com todos os problemas enfrentados no Velopark – inclusive, eles foram os únicos inscritos da classe na etapa final. Aldoir Sette foi o campeão da P3, tendo disputado as provas finais na companhia do jovem Bruno Smelevski.

E, por fim, a taça da GT3 Light ficou com negócio de pai e filho, mais uma vez: Sérgio e Guilherme Ribas, agora com a equipe Tech Force, conquistaram outro título do Endurance Brasil com o Aston Martin V12 Vantage GT3, que contou com o auxílio luxuoso de Júlio Campos em pelo menos duas oportunidades, para derrotar a Ferrari de Ricardo Mendes, Tom Filho e Marçal Müller.

“Foi um ano fantástico e temos que agradecer também ao reforço do Julio Campos nas etapas de Goiânia e de Curitiba. Ele foi muito importante não só guiando, mas também nos ajudando com toda a estratégia em todas as corridas”, afirmou Sérgio Ribas, “Estamos muito felizes com esta conquista, ainda mais em um ano tão difícil. Vencer em família é um prazer enorme também. Vamos comemorar muito esta conquista”, completou o filho.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

3 Comentários

  • Vi uma parte da corrida e realmente foi complicado para muita gente. Mas bom ver o Endurance Brasil conseguir concluir a temporada nesse tenebroso 2020 com dignidade e espero realmente que venha logo uma vacina para que possa mais uma vez ver a categoria in loco e a noite, como foi nas 4h de Interlagos em Setembro do ano passado.
    E que venham novos carros, sobretudo alguns GT3.

Por Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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