ELMS, 4h de Portimão: vitória da United na última da temporada; DKR e Iron Lynx vencem demais títulos em jogo

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RIO DE JANEIRO – A United Autosports riu por último na etapa final do European Le Mans Series (ELMS), as 4h de Portimão, disputadas ontem no Autódromo Internacional do Algarve. Havia ainda uma vaga em jogo com vistas às 24h de Le Mans, ofertadas às duas melhores equipes da LMP2 – o Team WRT, campeão antecipado, já era dono de um convite automático pelo título carimbado nas 4h de Spa-Francorchamps.

Pois mesmo sem muitas chances de acordo com a tabela, o #22 de Jonathan Aberdein/Tom Gamble/Phil Hanson venceu e assegurou o time oficialmente em La Sarthe. A combinação de resultados foi favorável: a G-Drive Racing figurou apenas em 5º lugar e a Panis Racing, em quarto. Com isso, o trio do time de Zak Brown e Richard Dean chegou ao total de 86 pontos, enquanto Julien Canal e Will Stevens – James Allen ficou fora de uma etapa por Covid – marcaram meio ponto a mais que Franco Colapinto e Roman Rusinov (74,5 a 74). Nyck de Vries ficou em quinto na tabela, com 67.

O Team WRT confirmou a fantástica campanha do trio Yifei Ye/Louis Déletraz/Robert Kubica somando 118 pontos com cinco pódios e três vitórias – além de terminar todas as corridas entre os cinco primeiros. A grande surpresa do fim de semana foi a 3ª colocação da Algarve Pro Racing, que contou de surpresa no fim de semana com Sophia Flörsch junto a Richard Bradley e Ferdinand Von Habsburg. Ela substituiu de última hora o mexicano Diego Menchaca.

Na LMP2 Pro-Am, Rui Andrade e John Falb levaram o título simbólico da classe, somando 16 pontos (122 a 106) a mais que Alexandre Coigny e Nico Lapierre. Os pilotos da G-Drive Racing ficaram em oitavo na geral e segundo na subcategoria em Portugal, o que deu o título ao angolano e ao estadunidense, que dividiram o #25 com Gustavo Menezes. Charles Milesi levou a segunda pole para o #37 da COOL Racing, mas o carro não foi além do 6º lugar geral em Portimão.

A prova chegou a ser interrompida por 22 minutos em regime de bandeira vermelha: com pouco menos de meia hora de disputa, um acidente entre o LMP3 da 1AIM Villorba Corse guiado pelo grego Andreas Laskaratos e o LMP2 da Duqueine, tendo a bordo o mexicano Memo Rojas Jr., causou um estrago enorme. Felizmente nenhum dos dois pilotos se feriram ou tiveram problemas sérios. Os carros mostraram também sua excelência quanto à segurança passiva dos chassis.

E por falar na LMP3, a DKR Engineering conquistou o título da categoria, ainda em aberto antes da final: o carro #4 guiado por Laurents Hörr – e mais quatro pilotos diferentes: Alain Berg, Jean-Philippe Dayraut, Leo Weiss e, por fim, Mathieu de Barbuat – fez o resultado suficiente para derrotar os até então líderes Nicklas Krütten, Nico Maulini e Matt Bell, da COOL Racing.

A trinca do #19 do time suíço chegou apenas em oitavo e foi para 104 pontos – porque Fabian Michal e Lucas Légeret, com uma inscrição hors-concours da Saintéloc, não fizeram jus ao resultado de 5º lugar na pista e no campeonato. Com 93 na tabela antes das 4h de Portimão, Hörr chegou a 105 – e foi campeão sozinho. Barbuat, que disputou as três últimas provas, foi o quinto na classificação final, colaborando com 64 dos pontos que o time de Kendy Janclaes conquistou na segunda metade do campeonato, fruto de duas vitórias, uma quarta colocação e dois pontos extras de pole position.

Na última etapa, ganhou a Inter Europol Competition com Ugo de Wilde e Martin Hippe, mais Adam Eteki, resultado que deixou os dois primeiros citados em quarto no campeonato. Robert Wheldon/Edouard Cauhaupe/Wayne Boyd fecharam a disputa algarvia em segundo e terceiro na tabela. Rory Penttinen e Mathias Kaiser, após um ano muito apagado, conquistaram um surpreendente pódio com o carro #9 da Graff.

A taça da LMGTE, cuja disputa também estava em aberto, ficou nas mãos da Iron Lynx, que assim alcança sua segunda vaga direta para as 24h de Le Mans em 2022: o carro #80 de Matteo Cressoni/Miguel Molina/Rino Mastronardi venceu a disputa e fechou uma temporada simplesmente incrível da trinca, com três vitórias e seis pódios ao longo do campeonato, somando 126 pontos.

Os rivais mais próximos – Alessio Rovera/Emmanuel Collard/François Perrodo – com a Ferrari #88 da AF Corse, foram à nocaute na disputa por conta de duas penalizações drive-through. Como ninguém abandonou, a tripulação ítalo-francesa acabou em 10º na classe e só fez os pontos do nono lugar pois o carro #61 não fazia jus à inscrição full-season do ELMS e correu como hors-concours.

Pior: David Perel e Duncan Cameron, mais Matt Griffin, que esteve ausente numa etapa e foi substituído por Ale Pier Guidi, chegaram em 4º lugar e a Spirit of Race fez o que parecia improvável – somaram pontos suficientes para chegar em segundo e tirar a AF Corse do lugar automático das 24h de Le Mans na LMGTE-AM.

Com o 2º lugar na prova, o ator anglo-alemão Michael Fassbender alcançou seu melhor resultado na LMGTE, competindo no Porsche dividido com Felipe Fernandez Laser e o austríaco Richard Lietz. O resultado deu ao astro de Hollywood o 5º lugar na classificação final com 61 pontos. Será que o veremos em Le Mans 2022?

As “Iron Dames” foram ao segundo pódio consecutivo numa boa performance de Sarah Bovy/Rahel Frey/Michelle Gätting. A Weathertech Racing fechou em quinto atrás da Spirit of Race, com a JMW Motorsport finalizando o top 6 da LMGTE no Algarve.

Dessa forma, oito das 62 vagas automáticas para a disputa da 90ª edição das 24h de Le Mans, em junho do próximo ano, já estão preenchidas.

O Team WRT e a AF Corse, pelas vitórias conquistadas em La Sarthe este ano, ganharam de cara vagas nas classes LMP2 e LMGTE-AM. Depois, a equipe belga assegurou mais uma com o troféu do ELMS e a United Autosports pegou mais uma – o time pretende ter dois carros full season no WEC e Le Mans faz parte do Mundial de Endurance. Possivelmente, vão com três inscrições em 2022.

A DKR, que não disputa a clássica prova francesa desde 2013, levou a vaga pré-estabelecida para a LMP3 – que elege um carro para a LMP2. Se estarão presentes em Le Mans, é outra história.

Campeã do Michelin Le Mans Cup entre os GT3, a Iron Lynx leva duas vagas por ter também ganho o título do ELMS na LMGTE – a equipe deverá também andar na LMP2 do WEC em 2022 numa associação com a Prema. A oitava vaga automática é da Spirit of Race, vice-campeã entre os times de Grã-Turismo.

O ACO deve ainda ofertar seis vagas automáticas às equipes do ELMS que cumpriram todo o certame LMP2 e não figuram entre os já contemplados. Essas vagas devem ser, em princípio, de Panis Racing, G-Drive Racing, Duqueine Team, IDEC Sport, Algarve Pro Racing e COOL Racing, porém carecendo de confirmação a posteriori. Asian Le Mans Series e IMSA Weathertech SportsCar Championship preencherão também as demais vagas diretas e o critério final de fechamento dos 62 titulares das 24h de Le Mans para os lugares restantes será o de sempre: ‘tradição’ e ‘fidelidade’ à disputa na França.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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