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22 de fevereiro de 2015 - 20:51Equipes Históricas, Fórmula 1

Equipes Históricas – Tyrrell, parte XII

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Bom começo: Derek Daly foi 4º colocado no GP da Argentina, abertura do campeonato de 1980

RIO DE JANEIRO - Após o bom campeonato em 1979, com pódios e performances positivas de seus pilotos, a Tyrrell tinha esperanças de manter o desempenho na temporada de 1980. O veterano Jean-Pierre Jarier foi mantido para liderar a equipe britânica, que recebeu um novo piloto, o irlandês Derek Daly – que já defendera a Tyrrell em três corridas no ano anterior.

Enquanto o modelo 010 não ficava pronto, a equipe lançava mão do 009 na perna sul-americana do Mundial de Fórmula 1, que começou na Argentina em 13 de janeiro de 1980. Para Jarier, a corrida durou só uma volta: o “Jumper” bateu após largar em 18º. Daly fez muito mais do que se imaginava, após largar em vigésimo-segundo. Chegou em quarto, no melhor resultado de sua curta carreira na categoria.

No GP do Brasil, o desempenho ruim do 009, já defasado ante a concorrência, foi evidenciado desde os treinos: Jarier largou apenas de 22º e Daly foi o último entre os 24 que conseguiram classificação. Na corrida, o francês chegou em décimo-segundo e o irlandês foi o décimo-quarto. Já era chegada a hora de vir o carro novo.

E ele veio na 3ª etapa, o GP da África do Sul, em Kyalami. Jarier obteve o 13º tempo no grid e quase conseguiu o primeiro pontinho na estreia do 010, chegando em sétimo – enquanto Daly desistiu na 61ª volta em razão de um furo de pneu. No GP dos EUA-Oeste, em Long Beach, os dois largaram do pelotão intermediário. Jarier bateu na 3ª volta com Elio De Angelis e desistiu cedo. Daly chegou a andar em sétimo no início, mas teve problemas em seu carro e perdeu uma volta. Conseguiu se recuperar para terminar em oitavo.

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Jarier fez uma ótima apresentação no GP da Bélgica, perdendo o quarto lugar na última volta: mesmo assim, somou os primeiros pontos em Zolder

Àquela altura, a Tyrrell estava em penúltimo lugar no Mundial de Construtores, com apenas três pontos somados. Pior que ela, Alfa Romeo e Ferrari, que tinham dois. Sem contar Osella, ATS e Shadow, estas sem qualquer ponto somado. Era preciso recuperar terreno. E aí o velho “Jumper” brilhou no GP da Bélgica: quarto colocado desde a 40ª volta (largara de nono no grid), acabou perdendo a posição para René Arnoux, então líder do campeonato, na última volta. Fechou em quinto e pelo menos fez seus primeiros dois pontos. Daly completou em nono, duas voltas atrasado.

E veio Mônaco.

A corrida de Monte-Carlo entrou para a história da Tyrrell pelos motivos que se seguem abaixo…

Vida que segue. Após a auto-eliminação dos dois 010 em plena curva Ste. Dévote na primeira volta do GP de Mônaco, a Tyrrell participou do GP da Espanha, que acabaria por não valer pontos para o campeonato em razão de uma briga política entre a FISA de Jean-Marie Balestre e a FOCA de Bernie Ecclestone. Renault e Alfa Romeo não foram a Jarama, na corrida que terminou com vitória de Alan Jones e Jean-Pierre Jarier em quarto. Diante de tanta polêmica, o GP da Espanha acabou mesmo anulado.

A corrida seguinte que valeu para o Mundial de Fórmula 1 em 1980 foi o GP da França, em Paul Ricard. Com os dois Tyrrell 010 apanhando horrores na reta do Mistral com seu 1,8 km de extensão, foi lucro os pilotos do time britânico terminarem a prova. Daly chegou em 11º, duas voltas atrasado. Jarier terminou em décimo-quarto, atrás até do Skol-Fittipaldi do bicampeão Emerson Fittipaldi, cujo motor quebrou na última volta.

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Contornando a lendária curva Druids de Brands Hatch: Daly igualou o resultado alcançado na primeira prova do ano com um 4º lugar no GP da Inglaterra

Em Brands Hatch, na corrida caseira da Tyrrell, os dois carros foram bem. Daly e Jarier largaram na primeira metade do pelotão e o irlandês igualou o 4º lugar do GP da Argentina, na abertura do campeonato. O “Jumper” somou mais dois pontos com a quinta posição, também repetindo o que fizera na Bélgica. Com 10 pontos, a Tyrrell estava em sexto no Mundial de Construtores, tendo superado a Fittipaldi, a decadente McLaren e a Lotus, que após o pódio de Elio De Angelis no GP do Brasil não tinha conseguido mais nada no campeonato.

Novamente numa pista de alta velocidade como Hockenheim, os dois Tyrrell 010 mostraram a falta de velocidade vista em Paul Ricard. Daly largou em 22º e chegou em décimo. Jarier partiu da última fila e concluiu apenas em décimo-quinto lugar. O desempenho dos dois pilotos no GP da Áustria não foi muito diferente: enquanto o francês desistiu em Zeltweg na 25ª volta com o motor quebrado, o destino de Daly foi o meio do mato, acidentando-se na 12ª passagem.

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Daly saiu reto na curva Tarzan na 60ª volta e o resultado…

Em Zandvoort, durante o GP da Holanda, Jarier conseguiu mais dois pontinhos no campeonato, enquanto Daly praticamente selou seu destino para 1981. O assustador acidente sofrido na 60ª volta, quando o piloto vinha na oitava posição, não deixa mentir.

No GP da Itália, na primeira – e única – vez em que a corrida foi disputada no Autódromo Dino Ferrari, em Imola, Daly sofreu novo acidente, desistindo na 33ª volta. Jarier teve boas chances de somar pontos no campeonato: chegou ao 4º lugar, mas numa pista exigente para o equipamento os freios do carro do “Jumper” pifaram e ele foi obrigado a desistir.

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Sem sorte: aos 19 anos, Mike Thackwell classificou-se para o GP do Canadá com o Tyrrell 010, mas foi um dos envolvidos no acidente após a largada e ficou sem carro para competir em Montreal

Assim como em 1979, Ken Tyrrell chamou um terceiro piloto para a disputa do GP do Canadá: o novato neozelandês Mike Thackwell, 19 anos à época, oriundo da Fórmula 2 Europeia, teria sua primeira chance após fracassar no GP da Holanda a bordo de um Arrows, como substituto de Jochen Mass naquela ocasião. Pena para o jovem piloto que sua participação tenha sido abreviada: último no grid, ele foi um dos que ficou sem carro em razão do acidente proposital provocado pelo australiano Alan Jones, que bateu após a largada no pole position Nelson Piquet, seu rival na disputa pelo título. Não só ele, porque os titulares Daly e Jarier também bateram. Pela hierarquia, o francês teve direito ao carro-reserva e fez boa corrida para terminar em sétimo.

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Derrapando bonito: Jean-Pierre “Jumper” Jarier somou apenas seis pontos em sua última temporada pela Tyrrell

A última prova do campeonato de 1980 foi também o último GP de Fórmula 1 disputado em Watkins Glen, pista próxima a Nova York. Além de marcar a despedida de Jody Scheckter e Emerson Fittipaldi, a corrida foi a última da Tyrrell com a Candy como principal patrocinadora, já que a firma italiana de eletrodomésticos já estava comprometida com a Toleman para o ano seguinte. Com Thackwell de fora do grid de 24 pilotos, a participação dos titulares foi melancólica. Daly despediu-se da equipe com um acidente e Jarier, com muitos problemas, só completou 40 voltas, não recebendo classificação ao fim da corrida.

Com um modesto 6º lugar no Mundial de Construtores, apenas 12 pontos somados, sem pódios, sem pilotos e sem patrocínio, o futuro da equipe de Ken Tyrrell não era dos melhores para o ano de 1981. Assunto para o próximo post…

1 comentário

  1. pedro perez disse:

    O 010 era ainda mais bonito que o 009, com o acréscimo das cores vermelho e branco ficou “show” assim como esse post, valeu!

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