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29 de março de 2015 - 06:41Fórmula 1, Temporada 2015

Vettel arriva molto bene

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Vettel, logo em sua segunda corrida pela Ferrari, ganhou na Malásia. É bom lembrar que outro alemão campeão, Michael Schumacher, demorou sete GPs para ganhar a primeira com os carros de Maranello…

RIO DE JANEIRO - Sim, é cedo para nos empolgarmos. Principalmente depois de uma corrida como a da abertura, em que a F1 foi mais F1 da Depressão do que nunca. Mas nada como um GP após o outro e aí a velha paixão volta à tona. Principalmente depois do que se viu no circuito de Sepang: a Ferrari de volta ao topo do pódio, o que não acontecia desde 2013. E com Sebastian Vettel, ganhando pela primeira vez em um carro que não tivesse o escudo símbolo da Red Bull em sua carenagem. Conquista pra lá de histórica, emocionada e comemorada não só pelo piloto como também pelo novo chefe de equipe, Maurizio Arrivabene, que cantou o hino da Itália a plenos pulmões no pódio. E vai faltar bebida na noite malaia, porque Vettel, empolgado, prometeu ficar “bebaço”. Já pensaram?

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A noite malaia vai ser pequena para a alegria de Vettel, contrastando com o inconformismo de Lewis Hamilton

A vitória da Ferrari, que representa também o fim de 34 corridas de vitórias apenas de Mercedes e Red Bull no período mais recente da história, coloca um pouco mais de tempero numa temporada que se antevia dominada de cabo a rabo pela Mercedes-Benz, pelo que a pré-temporada e o GP da Austrália nos mostraram. Mas o que Nico Rosberg desejara após a primeira corrida do ano aconteceu – e com requintes de crueldade contra a turma de Stuttgart. Proporcionalmente ao brilhantismo de Vettel na pista e também da turma de Maranello com relação às estratégias, os alemães da estrela de três pontas erraram tudo.

Quatro eventos foram decisivos: para começar, o erro idiota de Marcus Ericsson ao sair da trajetória no começo da quarta volta com sua Sauber, provocando a entrada do Safety Car e a consequente entrada dos dois pilotos da Mercedes nos boxes. Não obstante, enquanto Vettel disparava na ponta após a relargada – sem ter parado nos boxes, diga-se – Hamilton e Rosberg tiveram que perder tempo em ultrapassagens contra adversários que também não pararam e tinham um ritmo diferente com pneus usados.

Depois, Vettel conseguiu retornar de um pit stop à frente de Rosberg e a Mercedes, que tinha em mente parar apenas duas vezes (tarefa difícil em razão do fortíssimo calor em Sepang) errou de novo quando pôs pneus mais duros no carro de Hamilton, quando poderia ter arriscado montar os compostos médios, ainda que usados, o que poderia permitir ao britânico lutar mais perto de Vettel pela vitória. Lewis chegará ao GP da China ainda como líder do campeonato com 43 pontos, mas com uma incômoda sombra vermelha a persegui-lo.

Registre-se que Kimi Räikkönen também fez uma corrida excelente, considerando as circunstâncias: um pneu furado logo no início da segunda volta o mandou para os boxes e ele regressou à pista em penúltimo. Com o ritmo consistente e forte que o Iceman imprimiu, não seria heresia nenhuma dizer que, caso não tivesse existido o evento do furo, o finlandês poderia ter chegado ao pódio em vez de Rosberg.

Para a Williams, que apostava ser a segunda força do ano, a vitória ferrarista e o ótimo desempenho dos carros vermelhos em Sepang representou um duro golpe. Logicamente, Felipe Massa não gostou. E muito menos quando perdeu o 5º lugar para Valtteri Bottas na penúltima volta, numa disputa dura e limpa entre os companheiros de equipe. Muito diferente do “Bottas is faster than you” do ano passado.

Nas hostes de Dietrich Mateschitz e Christian Horner, o ambiente não deve ser dos melhores, para dizer o mínimo. Aliás, vivemos para ver a filial Toro Rosso dar um pau homérico na matriz Red Bull, que ironicamente ainda levou uma volta completa – com seus dois carros, é bom ressaltar – do mesmo Vettel que com os carros rubrotaurinos foi campeão por quatro anos consecutivos. Aí vem a pergunta Tostines: o carro era bom ou bom mesmo era o piloto?

A Toro Rosso, aliás, tem a dupla mais promissora do ano: Verstappinho e Carlinhos foram muito bem neste domingo e o filho do aloprado Jos “The Boss” Verstappen pontuou em sua segunda corrida na categoria com o 7º lugar. Para os compêndios, Max Verstappen torna-se o 330º piloto a terminar na zona de pontuação e também o mais jovem de sempre a alcançar este feito, com menos de 18 anos de idade – precisamente 17 anos, cinco meses, 29 dias.

De resto, vimos Felipe Nasr em 12º, um resultado bem diferente daquele da estreia na Austrália, mas de certo modo esperado. Não dá para dizer que não foi legal vê-lo nos pontos, mas a corrida de abertura do campeonato foi um tanto quanto atípica. Duro, mesmo, foi ouvir desculpas pelo seu desempenho, como o fato de Raffaele Marciello ter andado no FP1 (como se o brasileiro não tivesse feito isso em algumas corridas pela Williams, ano passado) e uma falha no diferencial que limitou seu desempenho nos treinos. A realidade da Sauber é bem diferente daquela de Melbourne e o torcedor terá que se acostumar com isso.

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Esta é a expressão que melhor define o momento de Fernando Alonso, o homem certo das horas erradas

Por falar em realidade, será que Fernando Alonso já caiu em si? O espanhol pelo visto é o homem certo nas horas erradas. A Ferrari volta a vencer justamente após sua saída e a McLaren, outrora poderosa, sofre horrores com a falta de performance do MP4/30 com o motor Honda. Até que o ritmo de corrida, enquanto deu, foi honesto e o piloto chegou a figurar momentaneamente na zona de pontuação. Mas problemas técnicos levaram primeiro o asturiano e depois Jenson Button a nocaute. Deve ser dureza para Ron Dennis olhar o resultado final da corrida e ver que a Manor Marussia, ou Marussia Manor (desisti de tentar entender) chegou ao final da disputa com Roberto Mehri, ainda que em último.

Ainda sobre Alonso: se Hamilton tem motivos para não gostar da vitória de Vettel, assim como Felipe Massa, que dirá o bicampeão de 2005/2006. Faltou só uma câmera da transmissão do GP da Malásia, perto do piloto, mostrando sua reação diante de um triunfo que, contrariando as mais otimistas expectativas, parecia improvável. E Maurizio Arrivabene pode começar a preparar as pernas. “Se ganharmos quatro corridas, vou correndo a pé para Maranello”, prometeu, mesmo que em tom de brincadeira, há um mês atrás.

Faltam três, Maurizio. Faltam três…

9 comentários

  1. Marcos Melo disse:

    Rodrigo,

    Parabéns pelo blog. Você sempre traz matérias de ótima qualidade e conteúdo.

    Quanto ao assunto Red Bull, creio que o fator chave na equação do sucesso da esquadra energética passou para a Ferrari. Vettel sabia transmitir as informações aos engenheiros, conseguia traduzir suas impressões para que os técnicos trabalhassem no que ele gostaria que melhorasse. Riccardo é um bom piloto, mas no cenário atual penso que ele contribui muito menos que o tetracampeão. E a Ferrari tem tudo para evoluir, inclusive com reais chances, sim, de ser uma pedra no sapato da Mercedes.

    Agora, um comentário sobre as transmissões da categoria na América Latina. Não sei o motivo, mas a turma do Fernando Tornello saiu de cena para as transmissões ao vivo nos canais Fox. Foram substituídos por uma nova equipe e um novo canal, o Canal F1 Latam. Mas o Tornello já faz falta.

    Um abraço!

    • luigi disse:

      Essas informações são passadas pela telemetria (em que década você estaria?),o que pode ocorrer é o carro ser preparado pelo “ENGENHEIRO DE PISTA” para privilegiar o estilo de condução do piloto,e isto tem muitas envolventes que só com graduação em engenharia e muita especialização em veículos de competição é que é possível !
      Não deixe o Galvão te enganar !

      • Marcos Melo disse:

        Não tem engenharia no mundo que substitua o feeling de quem senta na barata, Se fosse assim, os melhores pilotos seriam engenheiros. Um bom piloto MOLDA o setup do carro ao seu estilo. 4 títulos mundiais não me deixam mentir.

  2. Eduardo disse:

    Diferente das confusões em Melbourne, essa corrida deu sinais de que “não são favas contadas” na F1. A Ferrari teve um grande final de semana, que culminou na vitória do Vettel.

    Por sinal, a chegada do Vettel – aliado ao novo comando técnico – deu uma nova cara à Ferrari, que parece ter mais disposição para encarar o campeonato. Ouso dizer que o Fernando Alonso tem o dedo podre. E um pouco de azar também, por aparecer na equipe certa na hora errada.

    Já sobre o Massa, nem vou falar muito, o cara parece se preocupar mais com as cagadas que fazem no pit-stop dele que a corrida em si. Acho que essa é a última temporada dele em bom nível na F1, pois o Bottas mesmo não estando 100% fisicamente deu um caldo no brasileiro.

    O Nasr não dá para avaliar muito. Depois daquela corrida na Austrália era meio previsível que ele daria uma oscilada. Nem tem como cobrar o cara.

    Mattar, você não vai falar nada da vitória do Valentino Rossi? O cara – junto com os pilotos da Ducati – fez uma corrida soberba no Qatar hoje.

  3. Marchi disse:

    Dei com a língua nos dentes. Vettel levou a Ferrari a vitória e foi muito bom reviver a sessão de ver o cavalinho rampante novamente no topo.

    Concordo, Raikkonen levaria o pódio do Rosberg facilmente se não fosse a felipada que ele tomou.

    Agora… será que a Ferrari evoluiu tanto assim? Claro, como já foi dito, houveram fatores para que Vettel vencesse, mas também não seria uma colher de chá para que o evento Fórmula 1 ganhasse créditos e novamente olhares com essa ascensão Ferrarista? Sei lá… só achei estranho o desempenho e estratégia da Mercedes.
    Espero que realmente essa forza ferrarista mostrada hoje seja um sinal real de evolução.

    Quanto ao Alonso, acredito que ele voltará a dar trabalho… no próximo ano.

    …e sem Alonso, sem Ferrari, o discurso continua o mesmo. Ehhhh Massa… =/

  4. Leandro disse:

    Esta vitória de Vettel me fez lembrar da primeira vitória de Prost na Ferrari, aqui no Brasil em 1990.
    As coincidências são muitas: ambas de pilotos com vários títulos, oriundos de equipes em que ficaram por muito tempo, conquistando vitórias, e que aceitaram o desafio de conduzir a Ferrari a uma nova fase vencedora.
    Aquela vitória de Prost foi no segundo GP da temporada, e também foi a 40. de sua carreira.
    Lembro que Prost também se emocionou muito com essa vitória.
    Se a história se repetir, quem sabe Vettel não dispute o título até o final com Hamilton?

  5. Diego disse:

    Rodrigo vc acha que a Wilians e Massa poderiam ter feito o mesmo em Montreal ou Abu Dabi ano passado? Ou a Ferrari esta muito mais proxima da Mercedes esse ano do que a Willians estava ano passado? Abraço

  6. Walter S. disse:

    Respondendo à sua pergunta tostinésica, esse mesmo piloto quando não teve um carro ao seu agrado tomou pau de um recém-chegado à “sua’ equipe.
    Então, por enquanto pode-se dizer que Vettel é excelente quando o carro lhe sai à feição, e fraco quando precisa tentar contornar o que não lhe agrada.

    Já o Alonso…está se transformando no Carlos Reutemann do Século XXI.

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