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7 de agosto de 2015 - 23:36Mundial de Endurance

Fora do WEC por tempo indeterminado

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Apesar dos testes no COTA, em Austin, a Nissan decidiu dar um tempo no Mundial de Endurance até que os crônicos problemas do GT-R LM sejam sanados

RIO DE JANEIRO - A Nissan está fora do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) por tempo indeterminado. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, mesmo após os testes efetuados no COTA, em Austin (EUA) com uma versão evoluída do protótipo GT-R LM Nismo. Isto posto, não serão vistos os dois carros do time nas 6h de Nürburgring ao final de agosto e não há uma definição quanto a um possível retorno da marca ao campeonato.

Não surpreende. A desastrosa estreia do carro nas 24h de Le Mans em junho ligou o sinal de alerta e o próprio board da montadora, cujo CEO é o brasileiro Carlos Ghosn, pôs o nome da Nissan em sério risco no automobilismo. Ao investir num projeto tido como revolucionário, trazendo o conceito de motor dianteiro, a Nissan encontrou – e ainda encontra – sérias dificuldades. Principalmente no âmbito da confiabilidade de componentes.

Mesmo após os treinos realizados no mesmo período em que as demais equipes do WEC tinham à disposição o circuito de Nürburgring, por deferência da Toyota, efetuados por Olivier Pla e Harry Tincknell, a Nissan não se sente totalmente pronta e confiante para dar sequência à sua campanha. Os próprios engenheiros garantem que quando o carro voltar às pistas – se voltar – vai inclusive andar sem o ERS obrigatório para o GT-R LM Nismo ser reconhecido como um carro híbrido – aliás, o sistema estava ausente do carro em Sarthe. Ao invés de “pagar mico” nas corridas, os engenheiros, técnicos e pilotos vão se debruçar num intenso programa de testes (não só nos EUA, como também noutros circuitos) até que se extraia um desempenho no mínimo satisfatório.

“A ausência de um sistema ERS nos traz sérios problemas ao nível do sistema de suspensão e de freios”, afiançou Darren Cox, diretor esportivo da montadora. “Nós já estamos trabalhando em algo novo para 2016. Já sabíamos que seria necessário. Esse novo sistema já teve progressos e nós informaremos mais a respeito quando os testes forem bem sucedidos”, explicou o dirigente.

“Quanto aos freios, estamos trabalhando com diversos fabricantes de pastilhas e discos. E vamos colocar todos os nossos esforços para melhorar os sistemas de refrigeração. Obviamente, em Le Mans não é necessário um sistema maior de arrefecimento dos freios, mas ao chegar nos circuitos de menor extensão poderíamos ter problemas, uma vez que o kit de alta pressão aerodinâmica exige uma grande ênfase na refrigeração e controle de temperatura dos freios”, concluiu Cox.

11 comentários

  1. geraldo101 disse:

    Não chega a ser surpresa. Pelo que andei lendo por aí, problemas não faltam: existem os problemas de refrigeração e com o sistema híbrido, como o Rodrigo mencionou, falta de velocidade em curvas, distribuição de peso, o peso do próprio carro (li não me lembro onde agora, que o trabalho da AAR não foi exatamente esmerado, e que vários componentes apresentaram problemas de acabamento e mesmo de encaixe, o que contribuiu para a “gordice” do carro), problemas de tração e por aí vai.

    Com a proposta de um projeto tão radical, problemas acabam sendo algo previsível, mas acredito que ninguém esperava tantos.

    Dada a ousadia que a Nissan teve, quero muito ver esse carro andando nas pistas. Mas de forma competitiva. Pra fazerem número, como em Le Mans, particularmente prefiro que continuem afastados.

    • Gustavo Oliveira disse:

      É algo que tenho dito desde o começo, a Nissan tinha meios muito mais simples, baratos e eficazes para entrar na LMP1. Um deles seria via Oak, que já possui um excelente P2 correndo por ai.

      Agora, apostar na solução mais radical o possível, com orçamento limitado e com um construtor que está longe de ser a melhor opção…

  2. Marcos José disse:

    A aposta de um carro com motor dianteiro custou muito caro para eles ; não acredito em ousadia mas sim de arrogância por acharem que já ganhariam com a tal “ousadia de projeto”; a vergonha que passaram em Le Mans mostrou a realidade do projeto e agora é fácil “culpar” os fornecedores por isso ( já que é a própria montadora que “pede” e “verifica as peças” antes para serem usadas por ela em seu ousado projeto). O Marc Gene (se eu estiver enganado, me perdoe) foi afastado do projeto (por achar que o carro tinha um sério problema em sua construção) e nem por isso a Nissan descartou a participação dela “para corrigir o tal problema que ela diz ter agora” na edição deste ano das 24 Horas de Le Mans e o por quê que só agora que descobriram que faltam “mais testes” para serem competitivos? A alta cúpula da Nissan irá querer muitas explicações por gastarem tanto dinheiro num “projeto tão ousado” para passarem vergonha numa competição tão tradicional como as 24 Horas de Le Mans! Não ficarei surpreso se abortarem o carro atual (com a motorização dianteira) para retornarem para um carro com motorização traseira; neste provável retorno (se ocorrer) da Nissan no futuro!

  3. Bruno Serafim disse:

    O carro é muito bonito e a ideia muito interessante, mas não adianta se o resultado não vier. Eu acho que o gato subiu no telhado para o Nissan GT-R LM Nismo.

  4. Fernando Lima disse:

    É uma pena, e parece que terá o mesmo destino do Delta Wing…

  5. Filipe disse:

    Eles viajaram na maionese com a ideia de desenvolver essa bizarrice por menos de um ano e achar que iam apavorar em Le Mans.

    Se não voltar pra pista pra competir até dezembro, não me surpreenderia se a Nissan acabasse com a farra dessa turma.

  6. Rafa disse:

    Rodrigo, o Ricardo Divila esteve envolvido no projeto correto?! Será que ele não pode soltar nada? Acho que o mais racional para a Nissan seria começar do zero novamente… Com tantos problemas não faz sentido continuar com esse projeto. Essa ratoeira vai ter o mesmo destino da AMR One.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Seria antiético da parte dele criticar o projeto, não acha?

      • Rafa disse:

        Talvez tenha utilizado os termos errados, mas não espero que fale mal do projeto de forma alguma.

        Entretanto, acho que seria legal ouvir de um cara na condição dele as razões de algumas opções técnicas, como o posicionamento do motor. Seria legal compreender que tipo de parâmetro/conceitos foram levados em consideração para tal opção por exemplo. Foi um projeto muito ambicioso, tocado por pessoas competentes, mas que infelizmente não saiu como planejado.

  7. Gustavo Oliveira disse:

    Nada mais obvio, sendo assim, o carro caminha a passos largos para se tornar a versão 2015 do AMR ONE. Só gostaria de ler alguma coisa dos “engenheiros automobilísticos” que no final de junho defendiam com unhas e dentes que o projeto não era um retumbante fracasso.

    Gostaria de saber se ainda resta alguma duvida,

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