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25 de junho de 2018 - 02:17Fórmula 1

Um regresso bem mais ou menos…

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No clique do craque Beto Issa, Hamilton desfila competência e vence na volta do GP da França ao Mundial de Fórmula 1 (Foto: Reprodução Grande Prêmio)

RIO DE JANEIRO - Desde o ano passado, decantamos em verso e prosa o quão era bom para a Fórmula 1 ter de volta o lendário Circuito de Paul Ricard e, por conseguinte, o GP da França, ausente por uma década do calendário. A festa em si foi até bonita: mais de 65 mil pessoas – que conseguiram chegar à pista – estavam presentes, a execução do hino francês, “A Marselhesa”, foi um momento muito bonito e todo o pre-race do domingo foi legal.

Mas é uma pena que a corrida tenha sido a quarta em sequência que não agradou.

E poderia ter sido muito pior, se não fosse o incidente da largada entre Sebastian Vettel – que foi com muita sede ao pote – e Valtteri Bottas, além da colisão entre as esperanças francesas Pierre Gasly e Esteban Ocon, que se acharam metros depois do primeiro entrevero. Safety Car na pista, pelotão reagrupado e nova largada.

Para que? Para Lewis Hamilton dominar absoluto e vencer mais uma na temporada. Dominante desde os treinos livres e pole position, ampliando seu recorde na categoria para 75, o piloto da Mercedes-Benz passeou pelas retas e curvas do traçado de 5,842 km de extensão, com aquelas áreas de escape todas pintadas com faixas azuis e vermelhas – confusas, dirão muitos ou psicodélicas, diriam alguns.

O certo é que após o erro crasso na primeira curva, assumido pelo piloto alemão, a Ferrari perdeu a chance de manter seu principal piloto na liderança do campeonato. Sebastian ainda foi penalizado de forma inócua com um time penalty de cinco segundos, chegou em 5º sem ter parado – exceto quando trocou o bico do carro após cumprir o pênalti e a equipe montou o segundo tipo de pneus, com que ele iria até o final.

E mesmo com tudo isso, o público nas redes sociais ainda teve a pachorra de elegê-lo como o piloto da corrida.

Oi? É isso mesmo?

Com Charles Leclerc tendo feito o que fez nos treinos e marcando mais um ponto no campeonato, pela quarta vez em oito corridas disputadas? Fala sério…

Bom… os 25 pontos conquistados na terra dos galos devolveram Hamilton ao comando da classificação e a tendência para a rival italiana é ter problemas nas próximas provas. O Red Bull Ring, na Áustria, é um circuito de extensão curta e rápido, com apenas duas ou três curvas feitas em velocidade reduzida.

E ainda há Silverstone, no outro fim de semana, fechando a sequência inédita de três corridas seguidas de Fórmula 1. Porque a Mercedes, além de ter um carro mais rápido, claramente se beneficia do pneu de construção mais baixo que a Pirelli levou a Paul Ricard e levará para os próximos circuitos da temporada.

Voltando à Paul Ricard, a Red Bull ainda salvou um belo 2º posto com Max Verstappen (só eu tive a impressão de que o holandês cortou caminho ao sair da pista logo depois da largada?) e Kimi Räikkonen fez um corridão. Justiça seja feita: para quem estava num campeonato apagado até agora, o finlandês acordou pra vida e mostrou serviço. Os boatos – ou verdades, vai saber, né… – sobre Leclerc em seu lugar na Ferrari acenderam uma chama até então reduzida a uma nesga de empenho por parte do finlandês, que alcançou o quarto pódio do ano.

A Haas foi a melhor do resto com o sempre polêmico Kevin Magnussen mostrando serviço, totalmente o oposto de Romain Grosjean, que nos treinos bateu novamente e na corrida ficou fora dos pontos – o franco-suíço continua zerado na classificação, tendo a “ilustre” companhia de Sergey Sirotkin. Já a Renault ficou devendo em casa, conquistando oitavo e nono lugares com Carlos Sainz e Nico Hülkenberg, respectivamente, mas conseguindo se manter em quarto entre os construtores, após – mais uma – performance sofrível da McLaren.

Ah, a McLaren…

Sem pontuar pelo terceiro GP seguido, após um razoável início, Fernando Alonso certamente sentiu saudade do fim de semana passado, quando venceu as 24 Horas de Le Mans. Acabou num distante 16º lugar, último entre os classificados, mas sem receber a quadriculada.

O espanhol bicampeão da categoria já deve estar de saco cheio por não ter um carro no mínimo competitivo – aliás, mostrou todo o seu descontentamento no fim da corrida -  e acho que o destino dele não está ali na categoria máxima, para o futuro.

Na transmissão do SporTV, que fez as honras do Grupo Globo ao passar o GP da França ao vivo, Reginaldo Leme teria dito (não ouvi, portanto não posso afirmar) que Alonso é piloto apenas para a Fórmula 1. Respeito, mas discordo, se o querido amigo disse isso mesmo.

Acho que Alonso ainda tem lenha pra queimar e não é na McLaren não. É fora da categoria, seja no WEC ou até mesmo nas 500 Milhas de Indianápolis – não é o desejo de Fernando, ganhar a Tríplice Coroa do esporte a motor? Pois então…

E talvez o problema da equipe chefiada por Zak Brown e Éric Boullier seja de ordem interna – e não nos motores da Honda, que têm tido problemas em muito menos escala com a Toro Rosso do que no ano passado.

Mais uma observação sobre o GP da França e principalmente falando do circuito de Paul Ricard: custava à FIA tentar ouvir os pilotos, os artistas do espetáculo, sobre a chicane que foi usada durante a corrida?

Ok… era um bom ponto de ultrapassagem – com o tal do DRS, diga-se – mas, vamos e venhamos que seria muito melhor e mais desafiador para os pilotos se pudessem acelerar nos 1,8 km do retão Mistral e fazer, como a maioria fazia, a Courbe des Signes de pé cravado.

Entendo que a FIA esteja preocupada com segurança – aliás, é algo latente na administração Jean Todt – mas não dá pra deixar um pouco mais de desafio aos pilotos? Daqui a pouco, pingarão sugestões via e-mail na caixa de mensagens da entidade sediada na Place de la Concorde, em Paris, pedindo que a Eau Rouge em Spa-Francorchamps tenha chicanes.

Haja!

12 comentários

  1. Gustavo disse:

    Que decepção, que corrida chata… assisti a prova até a 20ª volta, desliguei a TV, e fui aproveitar o domingo com coisas mais interessantes.

    Após esse retorno à Paul Ricard o pessoal do Liberty tem muito com o que se preocupar.

  2. Jacob Lindener disse:

    Não chegou a ser uma chicane, mas em 1994, na ressaca do final de semana trágico de Ímola, a entrada da Eua Rouge foi mutilada visando a segurança.

  3. MarcioD disse:

    Concordo plenamente com você com relação à reta Mistral. Interessante que mesmo estando abaixo do limite máximo de 2 Km estabelecido pela FIA e até com declarações publicas de alguns pilotos como Peréz e Hartley mantiveram a chicane lá.
    Eu particularmente estava interessado em ver a que velocidade estes F1 hibridos chegariam ao final da reta e se fariam a curva de alta à uma velocidade superior á da Eau Rouge. Com relação á esta ultima estão esperando acontecer algum acidente mais grave lá para ter a desculpa para modifica-la.
    É impressionante, os caras não querem de forma alguma diminuir o downforce dos carros, preferem mutilar os circuitos!!
    Ainda bem que um circuito como Indianápolis não está localizado na Europa, senão já teria sido detonado há muito tempo.

  4. LUIS F BEZERRA disse:

    legal é ver os GTs correndo lá com a reta inteira. Todo mundo escapa no fim da reta e não teve muitos problemas na saida dos Boxes.

  5. Leandro disse:

    Rodrigo, não me recordo ao certo, mas acho o Reginaldo se referia ao Alonso não ir para outra categoria, que a F-1 é o topo. Eu entendi assim.

    • amadeu calisto disse:

      Entendi isso também. E o Regi tem razão. Nem os jornais esportivos espanhóis deram muita bola pra conquista do Alonso em Le Mans…

      • Rodrigo Mattar disse:

        Podem não ter dado, mas o segundo idioma mais falado no paddock de La Sarthe, com certeza, não era o inglês.

  6. Zé Maria disse:

    Rodrigo, boa noite!
    Análise certeira, como de costume, mas tenho para mim que o Vettel fez sim a 2ª parada, até pagou o time penalty de 5 segundos e depois colocou uma borracha igual a do Kimi para finalizar a corrida.
    Pelo que ouvi nos comentários, apesar dos pilotos pedirem a supressão da chicane na reta, a FIA não pode, por conta do regulamento, mudar a configuração de um dia para o outro.
    E com relação ao Alonso, o Leandro e o Amadeu Calisto já comentaram o que o Regi disse.
    Abraço!
    Zé Maria

  7. Felipe Fugazi disse:

    1) Com aquelas faixas azuis ladeando a pista quase tive de tomar um Dramin pra assistir a corrida.
    2) Cortar a Mistral com aquela chincane nem chega a ser surpreendente.
    Fizeram semelhante com a famosa Peraltada no Hermanos Rodrigues.
    Viadagem pura esse medinho de acidentes.
    Só falta pilotarem por controle remoto.
    3) F1 hoje em dia se resume as seis ou sete primeiras voltas com alguma emoção, depois desfile de carros poupando combustível e pneus e bandeirada final.
    Acorda FIA!!!

  8. Pedro Diniz disse:

    Rodrigo, será que os organizadores usaram como inspiração para o troféu do GP da França o “Monstro” de Dover da NASCAR?

    http://flaviogomes.grandepremio.com.br/wp-content/uploads/2018/06/sobrefra6.jpg

    https://www.motorsport.com/nascar-cup/photo/main-gallery/miles-the-monster-trophy-9000978/

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