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2 de julho de 2018 - 20:10Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (407)

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RIO DE JANEIRO - A foto ilustrativa desta postagem é de um dos momentos mais tristes da história das 500 Milhas de Indianápolis – talvez a edição mais trágica de sua história.

Era o ano de 1973. Na 57ª edição da história da principal corrida de monopostos dos EUA, houve três vítimas fatais e um piloto gravemente ferido.

A história de Salt Walther já contei aqui. Art Pollard morreu durante os treinos e o mecânico Armando Teran foi atropelado quando tentava salvar o piloto que está em meio às chamas. Esse piloto é David Earl “Swede” Savage, que não resistiria e morreria em 2 de julho.

O californiano, então com apenas 26 anos, estava em sua segunda disputa de Indy 500 após a estreia em 1972 com um 32º posto e apenas cinco voltas cumpridas. Na corrida de 1973, ele tinha à disposição um dos melhores equipamentos da pista – um Eagle com motor Offenhauser patrocinado pela STP e preparado por George Bignotti.

Dois dias após o grande acidente que adiou a largada para 30 de maio de 1973, Savage liderou 43 das primeiras 54 voltas e parou nos boxes para o reabastecimento de praxe. Naquele momento, seu carro estava cheio de combustível até o talo – calcula-se que cerca de 70 galões, algo em torno de 265 litros – o que explica a explosão provocada na colisão de Savage contra o muro interno da reta dos boxes, logo após a saída da curva 4, na 59ª volta.

As chamas atingiram 60 metros de altura e o piloto saiu, como mostra a foto, em meio ao fogo que tomava conta dos destroços de seu carro, pulverizado no impacto.

Há quem diga que o acidente se deveu a pneus frios. Outros atribuem a excesso de óleo deixado pelo carro de Johnny Rutherford. Diversos pilotos, entre eles Jerry Grant e Bobby Unser – este último havia questionado as capacidades de Savage como piloto e tido sérios atritos com o adversário – diziam que o circuito estava “inseguro”.

Mas pelo menos dois analistas da rede de televisão estadunidense ABC, Jim McKay e Chris Economaki, acreditam que o aerofólio traseiro do carro possa ter se soltado, provocando a colisão e a explosão posterior.

Apesar de sair do circuito para o hospital em “estado crítico”, Savage ainda brincou com a equipe médica que lhe prestou os primeiros socorros, quando foi levado ao Hospital Metodista de Indianápolis. Havia a esperança de que conseguisse sair vivo e pronto para voltar às pistas o mais rápido possível, diante do quadro clínico inicial.

Mas Savage não sairia mais do seu leito. O piloto ficou 33 dias internado até sua morte, em 2 de julho. Ele não resistiu a complicações causadas por uma transfusão de sangue errada, de acordo com relatos do Dr. Steve Olvey, que viria a ser o médico responsável pela CART nos áureos tempos da categoria. Savage não morreu por infecção ou insuficiência renal, como muitos faziam crer, e sim por ter contraído hepatite B e tido o fígado entrado em colapso.

Há 45 anos, direto do túnel do tempo.

 

3 comentários

  1. Pedro Perez disse:

    Essa edição das 500 milhas foi realmente a mais trágica.
    Mas perder a vida por um erro médico como esse depois de tanto lutar é desolador.

  2. Leandro Magnum disse:

    E eu sempre achei que ele havia morrido em decorrência direta do acidente…

  3. LUIS F BEZERRA disse:

    Os Carros da época eram verdadeiras cadeiras elétricas. Wilsinho contava que o piloto sentava praticamente cercado por gasolina por todos os lados.

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