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2 de setembro de 2018 - 11:59Fórmula 1

Na casa deles…

2018 Italian Grand Prix, Saturday - Steve Etherington

Soberbo: Lewis Hamilton arrancou no talento uma vitória que parecia impossível após o acachapante domínio da Ferrari nos treinos classificatórios. Um triunfo gigantesco na temporada em que a Mercedes não tem o melhor carro da Fórmula 1 (Foto: Reprodução Grande Prêmio/Mercedes)

RIO DE JANEIRO - A Fórmula 1 já nos mostrou no passado que nem sempre pilotos campeões e/ou postulantes ao título estiveram na batalha sem ter o melhor equipamento na pista.

Nelson Piquet ganhou assim dois de seus títulos – ambos com a Brabham – em 1981 e 1983. Ganhou porque era melhor que todos os outros.

Neste ano de 2018, um piloto em especial se encaixa neste perfil. A Mercedes-Benz não tem hoje a superioridade das últimas temporadas. Dá pra dizer sem nenhum erro que a Ferrari tem o melhor carro hoje da categoria. Mas a escuderia da estrela de três pontas tem um piloto que sobra em termos de talento e que, quando preciso, faz esse talento transbordar.

Foi assim no GP da Alemanha, há alguns meses. Foi o que aconteceu hoje em Monza, num excelente GP da Itália – que superou qualquer expectativa.

O que Lewis Hamilton fez para chegar ao topo do pódio é coisa de craque. Primeiro, numa manobra absolutamente lícita, pôs seu carro por dentro na freada da Variante Della Roggia para mergulhar e passar Vettel, que vinha logo à frente e se precipitou ao tentar defender a posição, tocando sua Ferrari no bólido do rival e rodando em seguida.

A manobra infantil de Vettel foi o primeiro e duro golpe nas pretensões italianas.

Depois, veio o blefe na parada de box, quando a Ferrari deveria ter levado em consideração a tática dos rivais germânicos e persistido com Kimi mais algumas voltas na pista. Como efeito, o nórdico parou após 19 voltas e Lewis entrou no modo “Hammer Time”, sentando o cacete no pedal da direita pra descontar o máximo possível de tempo.

Com o pit na volta 28, Hamilton garantiu nove voltas a mais de pneu com o segundo jogo. O que foi de novo decisivo. Outro golpe na Ferrari.

E o “fatality” veio numa ultrapassagem espetacular no início da 45ª volta, quando os pneus traseiros de Räikkönen já pediam arrego – cheios de bolhas. O finlandês não resistiu. E quem resistiria? Perdeu a ponta, mas não a pose, porque seu fim de semana foi espetacular – começando pelo novo recorde de velocidade média em qualificação, incríveis 263,587 km/h, superando o recorde de Juan Pablo Montoya que já durava 14 anos – culminando com a conquista do 100º pódio de sua longa trajetória na categoria máxima do automobilismo.

Como efeito, Hamilton chegou à 68ª vitória – e provavelmente uma das mais saborosas de sua vitoriosa trajetória – na casa deles, em plena Monza. Pista, aliás, onde o britânico se sente em casa, pois em todas as outras vezes que venceu ali foi campeão mundial. E ele espera que não seja diferente.

Mesmo tendo um carro pior, ele fez a diferença para abrir mais pontos na classificação do campeonato – agora são 30, com dois terços do campeonato alcançados.

Quanto a Vettel, o que dizer? Um novo erro, uma nova chance de aproximação ao rival perdida – e até que saiu barato, no fim das contas. Enquanto o alemão, com danos no carro, avançava porque sua Ferrari é muito mais carro que praticamente o grid inteiro, na frente dele o pau quebrava entre Max Verstappen e Valtteri Bottas. O holandês aprontou (quero uma novidade…) e os comissários lhe aplicaram uma punição por causar uma colisão com o finlandês da Mercedes.

Até achei que seria uma punição inócua, mas houve reflexos no resultado final, pois o piloto da Red Bull baixou pra quinto. Nem pra antessala do pódio ele foi dessa vez, como aconteceu em Austin ano passado. Bottas foi terceiro, Vettel quarto e ponto final.

Tirando isso, acho que dá pra destacar o solitário 6º posto de Romain Grosjean, os dois Racing Point Force India nos pontos (já chegaram na Toro Rosso…) e a décima colocação de Lance Stroll numa pista em que um carro ruim, sem carga aerodinâmica, até pode andar bem.

Para fechar, acho que ninguém tem mais dúvidas de quem merece ser o campeão mundial de 2018 na Fórmula 1, não é mesmo?

Vettel não é tetracampeão por acaso, mas tem cometido muito mais erros do que se esperava e parece sucumbir à pressão.

Lewis, em contrapartida, está mais amadurecido (pelo menos quando se trata de acelerar). Focado, eficiente e sobretudo rápido e decisivo quando tem que ser.

Quem quiser, que discorde à vontade.

Atualizando…

A Renault entrou com um protesto contra a Haas, que foi acolhido e o carro de Romain Grosjean realmente tinha uma irregularidade no fundo do chassis. Acabou desclassificado, perdendo portanto o 6º lugar. Com isso, todos os que vieram a seguir subiram no resultado final e o russo Sergey Sirotkin herdou a décima posição, para se tornar o 339º nome a figurar nos compêndios. Isso representa também que os 20 inscritos em 2018 pontuam, um fato inédito na história da Fórmula 1.

21 comentários

  1. Zé Maria disse:

    O maior adversário do Vettel não é o Hamilton, mas sim ele mesmo!
    E impressionante a capacidade dele em se auto-sabotar!
    Perdeu para si mesmo em Hockenheim, hoje jogou a corrida no lixo, depois não vai poder reclamar do penta do britânico.
    E dessa vez, a Mercedes não é o melhor carro.
    Outra decepção é o Bottas, piloto burocrático e sem brilho.
    Tudo bem que se prestou ao papel de escudeiro e segurou o Kimi, mas não conseguir ultrapassar o Verstappen foi a prova cabal de que ele não merece o carro que tem.

  2. Gustavo disse:

    A única coisa que me parece relevante comentar é a incrível necessidade que a F-1 atual tem por pistas rápidas. Se não estou enganado, as melhores corridas desta temporada se deram nos circuitos mais velozes.

    E seria maravilhoso se, por exemplo, a Variante del Rettifilo fosse extinta para que os carros viessem embalados da reta para entrar na curva Biassono. Da mesma forma, poderia-se extinguir as Variantes della Roggia e Variante Ascari.

    Sonho meu…

    • Felipe Fugazi disse:

      Eliminar a primeira chicane já seria muito legal.
      Mas muito improvavel.

    • Antonio Seabra disse:

      Havia um novo desenho que seria implementado em Monza, que, no papel, achei sensacional. Era dado como certo, mas depois não ouvi mais mais falar da mudança.
      Em termos de voltas lançadas, eu adoraria ver Monza em seu traçado original, sem as variantes. Mas tirar a variante do rettifilo (da qual eu não gosto, poderia ter um traçado um pouco mais rapido) tiraria o unico ponto efetivo de ultrapassagem em Monza. Os carros atuais causam muita turbulência nas curvas de alta, e não permitem uma aproximação efetiva. Sem a variante, a chegada em Lesmo 1 seria velocíssima, obrigando a uma freada forte, porem, provavelmente, quem viesse atras não estaria próximo o suficiente pra tentar ultrapassar. O mesmo aconteceria na Parabólica, onde hoje já não se vê mais ultrapassagens como no passado. Os freios excessivamente eficientes de hoje, tornaram o espaço de freadas muito curtos: Freia-se muito dentro e reduz-se a velocidade muito rápido, dificultando demais as manobras de superação.
      Como não dá pra retroceder na tecnologia, obrigou-se as pistas terem uma curva de baixa no final de uma reta longa, iniciada após uma curva de media. Isso é um saco, mas é necessário. As curvas de alta, onde acontece o verdadeiro espetáculo, onde se separam os homens dos meninos (parodiando o Giu) hoje servem apenas pra pole position, e pra o piloto que vem na frente abrir do que vem atras. E o vice versa só é verdadeiro, enquanto o que vem atras ainda estiver longe….

  3. MarcioD disse:

    Sem duvida alguma uma vitoria inesperada, com um 2×0 na casa da equipe rival, num carro pior, é algo para ser muito comemorado.

  4. Igor Fonseca disse:

    Eu torço e sou fã do Vettel, queria ver ele campeão pela Ferrari, hoje torci loucamente pelo Kimi, nessa que pode ser a última temporada dele pela F-1, visto que não será mais piloto pela Equipe de Maranello já a partir do ano que vem com a contratação do Leclerc. Vibrei, torci muito, lamentei.. queria ver muito uma vitória do finlandês na casa da equipe, infelizmente não foi o que aconteceu, e vida que segue. No mais o fim de semana do Kimi foi sensacional, eu como fã dele, saio orgulhoso. E tudo isso não pra menos né? A performance do Hamilton foi absoluta e incontestável, se mostrou preciso e rápido a corrida inteira e podem chorar a vontade pelo toque na chicane (se quiserem passem no Instagram oficial da F1, pqp…), foi coisa de corrida, Hamilton se manteve na sua linha de fora, fez uma ultrapassagem cirúrgica e o erro e estupidez foram completamente do Vettel, isso é nítido. E com mais um erro de principiante desse, ele vai se mostrando não suportar a pressão, e vai jogando fora a disputa e as chances dele de conquistar o quinto título se assim ele se manter. Não é questão deu ser incoerente como torcedor, deu não ser fã de verdade do alemão.. apenas temos que reconhecer e atestar os fatos, nada mais. Se a Ferrari tem o melhor carro, a Mercedes possui no exato momento o melhor piloto, que se mostra ser o mais sólido a medida que o campeonato se acirra mais e mais e se aproxima do momento mais decisivo. Ainda tenho alguma esperança que o Vettel se recupere, apesar da tendência clara do quinto título cair nas mãos do inglês, nunca se sabe.. Mas ou o alemão se corrija de vez ou a fatura já tá liquidada de vez a gente já sabe muito bem pra quem.

  5. Felipe Fugazi disse:

    Fico pensando nesses dois anos de duelo Hamilton vs Vettel e me ponho a desconfiar que o adversário mais duro que o Hamilton enfrentou foi o Nico Rosberg.

    • Claudio disse:

      É exatamente o que estava pensando durante a corrida, muita gente (a imprensa, acima de tudo), subestimou demais o Rosberg. Somente após o título e aposentadoria estamos tendo certeza do quão bom ele foi.

      • Felipe Fugazi disse:

        Em 2016 ele suou sangue pra ganhar do Hamilton.
        Carros iguais.
        O outro era campeão do mundo.
        E adicione a isso o clima pesadissímo nos boxes.
        O Hamilton uma vez disse que esperava reeditar com o Vettel os dias de Senna vs Prost.
        Na verdade esses dias de Senna e Prost foram vividos dentro da Mercedes.

    • Antonio Seabra disse:

      Nico vencia o Lewis na inteligencia, na concentração, na determinação, e na incrível capacidade de acertar o carro. No braço, a vantagem do inglês era indiscutível. Mas há que se respeitar o mérito do alemão-finlandes (?).
      Imagino que o esforço pra ser campeão foi tão grande que ele não suportaria uma nova tentativa. Por isso pendurou o capacete. SE não houvesse um Lewis no box ao lado, acho que estaria correndo e disputando títulos até hoje.
      Lembrem-se que Nelsinho Piquet, nos testes feito junto com Nico na Williams, embora tenha sido até ligeiramente mais rapido, foi preterido pela capacidade que o alemão tinha de informar os engenheiros sobre o que estava acontecendo com o carro, e pela sua maior regularidade.
      E esses forma os motivos pelos quais ele não deu vida fácil a um Schummy já mais velho. Schumacher nunca foi dos melhores acertadores de carro (não era ruim, mas…), e Nico com um carro acertado por ele e pra ele , era bastante rápido.
      Vettel pode ser excelente piloto, mas, como Nico, precisa de um carro perfeito pra vencer. Lewis faz a diferença, e vence até com carros que não são perfeitos.

  6. MARCOS ABREU FERREIRA disse:

    Com a pontuação antiga e nova, a Force India estaria em 4o no mundial de construtores. Será que recuperam os pontos perdidos na pista até o final do ano?

  7. Wilton Sturm disse:

    Concordo com a maioria dos cometários dos colegas acima.
    Vettel está se perdendo, deixando escapar grandes oportunidades.
    Isso, claro, não ofusca o Hamilton, que me parece no auge do amadurecimento.

    Uma reflexão imediata (indubitável em minha opinião): número de títulos não serve para tolas classificações de “melhor piloto”. Vi muito BI e TRI mais confiáveis, maduros etc que o Vettel!

  8. Antonio Seabra disse:

    Rodrigo,
    A tua analise da corrida e do cenário do campeonato, está perfeita !!!

    Aliás, um dos motivos que eu curto de vir aqui nesse espaço, além, que fique bem claro, do excelente nível das informações que você veicula, da qualidade indiscutível dos teus comentários e do teu largo conhecimento do automobilismo de competição, é a qualidade dos comentários dos teus leitores. Aqui raramente se vê comentários de fanáticos e de idiotas desinformados. Prova disso é que TODOS os comentários acima estão muito bem embasados e são consistentes. LEGAL ISSO.

    • pedro araujo disse:

      antonio, vc tem razão

      inclusive um dos meus parametros de qualidade de um blog ou site de analises (de qq assunto) é a qualidade dos comentarios

      bons sites têm comentarios que complementam o assunto postado, mesmo quando o leitor nao concorda com o texto

  9. Antonio Vidal disse:

    Como é lindo de ver a sempre arrogante Ferrari ser derrotada em sua sala de estar…o melhor piloto do grid da atualidade pilotou perfeitamente e muito me lembrou AYRTONTHEKINGSENNA em 1990…foi um banho naquele ano, e hoje, uma lavada….congrats L. HAMILTON!

  10. ags disse:

    Não sou piloto de formula 1..e não serei nessa nessa vida..kk.
    Mas esse sebastião é um garoto muito chorão.. e digno de ser campeão do choro..
    Ele superou o Chiquinho… tem seus títulos..mas só sabe reclamar..
    Esperamos que Hamilton ganhe logo esse campeonato e ponto final..Punto y basta….kk

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