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22 de dezembro de 2012 - 13:32Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Osella, parte VI (final)

RIO DE JANEIRO – No ano de 1989, a Fórmula 1 passou por uma transformação radical. Foram abolidos os motores turbocomprimidos e o retorno dos propulsores de aspiração normal deu, além de uma nova cara à categoria, um incremento sem precedentes no número de participantes. Com custos mais acessíveis, mesmo os construtores sem apoio de fábricas  se entusiasmaram e a lista de inscritos do ano tinha um deslumbrante total de 39 carros, obrigando a FIA a lançar mão da pré-qualificação.

As treze melhores equipes de 1988, por exemplo, ficaram livres desta verdadeira degola que se realizava pontualmente às 8h da manhã de cada sexta-feira de Grande Prêmio – isto na primeira metade do campeonato, porque na segunda mudava tudo e quem fosse mal no começo do ano cairia para essa repescagem. Mais briga de foice no claro, impossível.

Quem caiu nessa briga de foice, como não podia deixar de ser, foi a Osella, que tinha a companhia de diversas outras equipes, como Zakspeed, EuroBrun, Onyx e outras menos votadas. E olha que, para 1989, a equipe construiu aquele que é considerado o mais belo carro da trajetória do time na Fórmula 1.

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Com Nicola Larini a bordo, o Osella FA1M teve excelentes momentos na temporada de 1989

Projeto de Antonio Tomaini, o FA1M impressionava de saída pela pureza das linhas e pelo trabalho de aerodinâmica. A equipe alinhou dois carros durante todo o ano para Nicola Larini e Pier Carlo Ghinzani, que regressava após passagens opacas por Ligier e Zakspeed.

Apesar do potencial promissor do carro, a Osella tinha como principal vilã o formato de pré-qualificação. Se o piloto não conseguisse voltas suficientemente boas em apenas 60 minutos, “babau”. Por isso, não surpreendeu que seus dois pilotos tivessem ficado fora em várias corridas, tamanho era o nível da Fórmula 1 naquele ano.

Larini foi o piloto que mais mostrou capacidade a bordo do FA1M. Obteve alguns resultados bem razoáveis em qualificação, como um 10º lugar em Suzuka e o 11º posto em Jerez de la Frontera e Adelaide. E ainda fez uma corrida épica no Canadá, debaixo de um toró. Essa atuação de Larini poucos lembram, mas eu me recordo bem: o italiano largou em décimo-quinto e chegou a figurar em posição de pódio (!), com um 3º lugar, entre as voltas 22 e 30. Pouco depois, ele foi superado por Ayrton Senna e abandonou a corrida na 34ª passagem, quando estava em quarto. Detalhe: Thierry Boutsen, que venceria naquela ocasião, era o 5º colocado na hora do abandono do piloto da Osella. C’est la vie…

Já Pier Carlo Ghinzani, quase sempre eliminado nas pré-qualificações, só disputou três corridas – Hungria, Espanha e Austrália – encerrando sua carreira com um acidente monumental com a Lotus de Nelson Piquet no dilúvio de Adelaide.

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Olivier Grouillard foi o único piloto da Osella na temporada de 1990

Em 1990, a Fondmetal, que já patrocinava o time desde o ano anterior, resolveu marcar mais presença dentro da equipe. Gabriele Rumi, proprietário da marca de rodas esportivas, comprou uma parte das ações do time e a programação visual do carro foi mudada, saindo a pintura branca por uma combinação duvidosa de preto e laranja.

O francês Olivier Grouillard, que estreara na Fórmula 1 pela Ligier, foi o piloto do único carro do time naquela temporada. À exceção do 8º lugar no grid do GP dos EUA em Phoenix, Grouillard se qualificava – quando qualificava – com o modelo FA1M-E, do meio do grid para trás. Ele conseguiu terminar quatro corridas no ano e seu melhor resultado foi um 13º lugar em Montreal e Adelaide.

A Osella saiu de cena no fim da temporada, após disputar entre 1980 e 1990 um total de 132 corridas, somando apenas sete pontos como construtora: Gabriele Rumi subscreveu as ações de Enzo Osella, tomou a equipe para si e o time passou a se chamar Fondmetal. Com essa denominação, a vida da equipe foi curta. A Fondmetal disputou apenas 17 corridas entre 1991 e 1992, antes de fechar suas portas e se tornar parceira tecnológica de equipes como a Tyrrell, fornecendo seu túnel de vento para estudos aerodinâmicos.

Gabriele Rumi morreu de câncer, em 22 de maio de 2001. Enzo Osella, após deixar a Fórmula 1, manteve a tradição da construção de Esporte-Protótipos, especialmente nas corridas de Subida de Montanha, onde tudo começou para o construtor de Volpiano. Seus carros com motor Honda continuam ganhando tudo o que vêm pela frente e são dos mais populares na modalidade.

A retrospectiva da Osella, parte I

A retrospectiva da Osella, parte II

A retrospectiva da Osella, parte III

A retrospectiva da Osella, parte IV

A retrospectiva da Osella, parte V

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6 comentários

  1. Carlos Ganhadeiro disse:

    Penso que seria muito inteligente a F1 permitir novas equipes com um carro só! Tornaria economicamente viável a entrada de alguns novos times, e permitiria que equipes como a HRT cortassem seus custos quase pela metade, e talvez continuar na categoria!

    • Carlos Ganhadeiro disse:

      Apenas tomando como exemplo, será que Lotus, Marussia e HRT não teriam tido um desempenho melhor se tivessem que se ocupar com um carro apenas?

  2. Renzo disse:

    Dá só uma olhada nesse foguete chamado Osella FA30 !!!!!!!!!
    http://www.youtube.com/watch?v=rUQfXZV43EU

  3. Luciano Barcelos disse:

    E viva a Osella! Foi bom recordar tudo isso, principalmente com o pacato Piercarlo Ghinzani!

  4. moises simoes disse:

    Parabéns – Manda mais!

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