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26 de fevereiro de 2016 - 22:18Discos eternos

Discos eternos – Barão ao vivo (1989)

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RIO DE JANEIRO – Em tempos de crise (em todos os sentidos), o Barão Vermelho talvez fosse, dos grupos de rock que surgiram na explosão dos anos oitenta, o grupo que mais sofria. Principalmente após a saída de Cazuza, que embarcou em voo solo a partir de 1985 e deixou o “brou” Roberto Frejat com a responsa de assumir os vocais. Apesar dos esforços demonstrados nos discos Declare Guerra, Rock n’Geral e Carnaval, o Barão estava no desvio.

Mas os rapazes não deixaram a peteca cair e sentiram que era a hora de fortalecer a identidade do Barão com a nova formação, em que Fernando Magalhães já se consolidara como o guitarrista solo e o doidaralhaço Paulo “Peninha” Pizziali já era um membro quase honorário após contribuir com a percussão em “Bagatelas”, faixa de Declare Guerra. Em consenso com o produtor e eminência parda Ezequiel Neves e a direção da gravadora Warner, foi decidido que o grupo faria um disco ao vivo – o primeiro do Barão.

Gravado no Dama Xoc em três noites de junho de 1989 com engenharia de som do grande Paulo Junqueiro, o álbum mostra todo o vigor dos Barões em sua segunda fase e o resultado é, em todos os sentidos, excelente. “Agora o rock’n’roll vai rolar e é direto!”, conclamava Frejat antes dos primeiros acordes de “Ponto Fraco”, música que nunca tivera o registro dele nos vocais, já que era justamente do primeiro disco do grupo, lançado em 1982. Os petardos continuam: “Carne de Pescoço”, da safra do Barão 2, antecede o hit “Pense e Dance”, o primeiro do grupo pós-Cazuza. Frejat arrebenta duplamente no solo e na interpretação do clássico “Bete Balanço”, seguida do blues “Não Amo Ninguém”, esta do disco Maior Abandonado.

“Espero que vocês estejam tão sedentos de rock’n’roll como estão de álcool”. Essa foi a senha para o início de “Por Que a Gente é Assim”, que ganhou uma versão mais vigorosa ao vivo do que o registro em estúdio cantado por Cazuza no disco de 1984. Guto Goffi mostrou sua versatilidade ao adaptar e arranjar um poema de Machado de Assis, que virou o visceral “Rock do Cachorro Morto”, seguido da pulsante versão de “Quem Você Pensa Que é”. O disco fecha com “Pro Dia Nascer Feliz” e uma cover de “Satisfaction”, eterno fetiche de Ezequiel Neves – apaixonado pelos Stones, quando tinha uma coluna na lendária revista Somtrês, assinava como Zeca Jagger – e outros heterônimos: Summer, Zimmermann, Rotten e outros mais que o leitor puder imaginar.

Em 1998, no relançamento do disco, a Warner introduziu três faixas-bônus que ficaram de fora do original – já que o álbum fora lançado no formato de vinil, que não permitia muitas faixas. Entraram três da fase pós-Cazuza: “Lente”, “Bagatelas” e “Torre de Babel”. “Maior Abandonado” acabou de fora e, como curiosidade, pode ser ouvido o riff que introduz a canção no chamado “fade out” de “Satisfaction”, na edição do LP.

Barão ao vivo foi o último registro da banda com o baixista Dé Palmeira, que sairia durante a pré-produção de O Poeta Está Vivo, por considerar a faixa-título “baixo astral”. Amigo de Cazuza, consta que ele teria ficado desconfortável com os rumos que o Barão estava atingindo. Certo é que o disco de 1989 foi sucesso de crítica, teve boas vendas e recuperou o moral do grupo, além de provar e comprovar que as apresentações ao vivo são o combustível que qualquer banda precisa para recobrar seu público. Um último detalhe: o cenário de palco no Dama Xoc e a arte da capa foram de Luiz Stein, conhecido artista gráfico que é ex-marido da cantora Fernanda Abreu, que também contribuiu para o layout de apresentação do álbum

Ficha técnica de Barão ao vivo
Selo: Warner Music/WEA
Gravado entre os dias 1º e 3 de junho de 1989 no Dama Xoc (SP)
Produzido por Barão Vermelho e Ezequiel Neves

Músicas:

1. Ponto Fraco (Frejat/Cazuza)
2. Carne de Pescoço (Frejat/Cazuza)
3. Pense e Dance (Frejat/Dé/Guto Goffi)
4. Bete Balanço (Frejat/Cazuza)
5. Não Amo Ninguém (Frejat/Cazuza/Ezequiel Neves)
6. Por Que a Gente é Assim (Frejat/Cazuza/Ezequiel Neves)
7. Rock do Cachorro Morto (Poema de Machado de Assis, adaptação Guto Goffi)
8. Quem Você Pensa Que é (Frejat)
9. Pro Dia Nascer Feliz (Frejat/Cazuza)
10. Satisfaction (Jagger/Richards)

Faixas bônus do relançamento de 1998:

11. Lente (Frejat/Arnaldo Antunes)
12. Bagatelas (Frejat/Antônio Cícero)
13. Torre de Babel (Frejat/Ezequiel Neves/Guto Goffi)

2 comentários

  1. Tinha 19 anos na época e uma banda de rock que tocava covers nacionais e inter, aqui em Porto Ferreira (SP) e região. Já tocávamos muito Barão, mas este disco veio rechear nosso setlist, porque as versões ao vivo eram ótimas para uma banda como a nossa. Até falávamos as frases “agora o rock vai rolar e é direto” e etc. antes das músicas… rs rs. Não sabia das três faixas extras de 98. Vou procurar. Obrigado pela lembrança…

  2. Gil Corrêa disse:

    Caro Rodrigo, tive a felicidade de estar em um desses três shows (não me lembro qual), mas lembro que todos estavam sim sedentos de alcool e rock’n’roll!
    O Barão tem uma trajetória invejável, sempre fiel às raízes, autentico até o último acorde!
    Tenho todos os álbuns deles em formato cd e mp3 e acho a fase pós Cazuza muito mais legal em termos de produção e timbragem; esse Ao Vivo mostra exatamente isso!
    Super abraço!

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