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14 de dezembro de 2019 - 22:50Mundial de Endurance

No colo: Toyota fatura em dobradinha as 8h do Bahrein

Choveu loira na horta da Toyota, que venceu em dobradinha as 8h do Bahrein: deu o trio López/Conway/Kobayashi na quarta etapa do Mundial de Endurance

RIO DE JANEIRO – Nunca a clássica frase “corrida não se ganha na primeira volta, mas se perde” foi tão bem aplicada hoje quanto na 4ª etapa do FIA WEC, o Mundial de Endurance, que o Fox Sports transmitiu na íntegra no app e também em duas janelas ao vivo no FS2.

Porque foi na primeira volta que a corrida começou a se decidir. Pole position, o carro #1 da Rebellion Racing com Bruno Senna a bordo fez a primeira curva na frente do pelotão de 31 carros.

Foi aí que Charlie Robertson, no Ginetta #5 do Team LNT, ainda com os pneus não totalmente aquecidos em seu carro, deixou patinar demais as rodas traseiras. Houve o contato, os dois rodaram e o Safety Car entrou na pista.

Isso bastou para deixar o Toyota #7 de Mike Conway/Kamui Kobayashi/José María López com o caminho absolutamente livre para dominar a disputa – e foi exatamente o que a trinca fez.

A Rebellion ainda empreendeu uma furiosa recuperação vinda do fim do pelotão. Senna veio com a faca nos dentes, ganhou posições e quando Gustavo Menezes assumiu, o carro voltou à linha de frente chegando a ocupar o 2º lugar, virando tempos consistentes e melhores que os líderes.

Mas não era mesmo o dia do trio do #1. Uma falha de transmissão mandou o carro para as garagens. Foram três voltas perdidas e o fim das esperanças em repetir a vitória obtida em Xangai no mês passado.

E mesmo com todo o handicap de Equivalência de Tecnologia (EoT) aplicado pela FIA na disputa das 8h do Bahrein, a Toyota acabou por chegar à dobradinha sem a menor dificuldade. O #8 com Sébastien Buemi/Brendon Hartley/Kazuki Nakajima não teve ritmo suficiente para alcançar o carro gêmeo e ainda levou uma volta – os vencedores da disputa completaram 257.

Senna, Menezes e Nato ainda conseguiram salvar o terceiro pódio seguido na temporada, que deixa a trinca com 67 pontos na classificação: a corrida barenita tinha coeficiente 1.25 (vitória valeu 38) e com isso a trinca López/Conway/Kobayashi abre oito pontos – 97 a 89 – dos colegas de Toyota Gazoo Racing.

Para variar, os Ginetta do Team LNT pecaram pela falta de confiabilidade. Problemas elétricos e de transmissão nocautearam os dois carros, que ficaram ambos fora da zona de pontos pela primeira vez no campeonato.

Impecável performance da United Autosports, que dominou de cabo a rabo na LMP2; os nossos irmãos portugueses vibraram com Filipe Albuquerque no topo do pódio e Antonio Félix da Costa em segundo

Isso abriu caminho para um espetacular 4º lugar geral da United Autosports, que enfim chegou à vitória num momento crucial do campeonato na classe LMP2.

O trio Filipe Albuquerque/Phil Hanson/Paul Di Resta dominou a disputa quase que em sua totalidade, enfrentando alguns pequenos sufocos. Mas no fim, o #22 cruzou a linha de chegada em primeiro, tornando-se o quarto carro diferente a ganhar em quatro etapas da Super Season 2019/20.

A trinca do time de Richard Dean e Zak Brown fechou com pouco mais de 21 segundos de frente para Antonio Félix da Costa/Anthony Davidson/Roberto González, com Gabriel Aubry/Ho-Pin Tung/Will Stevens fechando o pódio – em mais uma sólida performance dos carros equipados com os pneus Goodyear.

Para André Negrão e os parceiros Thomas Laurent e Pierre Ragues, a corrida foi uma montanha-russa. Nas mãos do brasileiro, o Alpine A470 sempre aparecia bem. Já com Ragues, o ritmo caía e Laurent não conseguiu recuperar após os dois stints do compatriota, que “mataram” as chances do time de Philippe Sinault.

Eles terminaram em 8º lugar na geral – sétimo para efeito de pontos e quarto na LMP2 – porque a G-Drive Racing correu como “hors-concours” em seu Aurus 01 guiado por Roman Rusinov/Job Van Uitert/Jean-Éric Vergne.

As más notícias não pararam: a trinca Aubry/Stevens/Tung assumiu a liderança do campeonato com 72 pontos, três à frente de Albuquerque e Hanson. Os holandeses Frits Van Eerd e Giedo Van der Garde caíram para o 3º lugar com 66 e ainda há Félix da Costa e González em quarto na tabela.

Só aí é que vem o trio da Signatech Alpine – menos mal que a diferença de 16 pontos é recuperável, mas os franceses terão de arrumar um fato novo em 2020 para ganhar terreno em relação aos rivais.

Batalhas titânicas entre os três construtores inscritos foram a tônica da LMGTE-PRO: no fim, uma punição polêmica a um rival deu a vitória à dupla Thiim/Sörensen, da Aston Martin Racing

A corrida na LMGTE-PRO foi uma delícia: variáveis de estratégia, todos os carros liderando em algum momento, grandes disputas, ultrapassagens eletrizantes e… problemas. Desta vez, a equipe mais atingida foi a Porsche.

Os dois carros oficiais, tanto o #91 de Gianmaria Bruni/Richard Lietz quanto o #92 de Kévin Estre/Michael Christensen foram alijados da luta pela vitória por falhas técnicas e/ou furos de pneu.

Sobraram Ferrari e Aston Martin na batalha titânica pelo topo do pódio e no fim, mercê uma punição bastante controversa à dupla Davide Rigon/Miguel Molina, ganharam Nicki Thiim/Marco Sørensen, que com o triunfo no Bahrein emergem para a ponta da tabela: a dupla dinamarquesa soma 85 pontos, contra 71 de Estre/Christensen e 68 de Bruni/Lietz.

Contudo, há ainda o recurso pendente da AF Corse quanto à vitória cassada na vistoria técnica em Xangai, que pode alterar a classificação.

Vitória para Ben Keating e os holandeses Jeroen Bleekemolen e Larry ten Voorde com o Porsche do Team Project 1 nas 8h do Bahrein na classe LMGTE-AM

E na LMGTE-AM, com um trabalho impecável especialmente do gentleman driver Ben Keating, o #57 do Team Project 1, que contou ainda com os holandeses Larry ten Voorde e Jeroen Bleekemolen, alcançou não só a primeira vitória na Super Season como também a liderança do campeonato.

Graças a este triunfo, Keating e Bleekemolen chegam aos mesmos 73 pontos de Emmanuel Collard/Nicklas Nielsen/François Perrodo – mas com o peso de uma vitória numa prova que oferece pontuação maior para a classificação.

A Aston Martin ficou a pouco mais de 37 segundos de vencer também na divisão inferior de Grã-Turismo, mas Darren Turner/Paul Dalla Lana/Ross Gunn salvaram pontos importantes para o resto do ano.

E a Gulf Racing, numa ótima atuação de seus pilotos, chegou ao primeiro pódio em sua trajetória no FIA WEC. Grande evolução do piloto bronze Michael Wainwright, que persistiu e aprendeu bastante nas últimas temporadas. Ele, Andrew Watson e Ben Barker, apesar de uma penalização, foram muito bem nas 8h do Bahrein.

A TF Sport, com o lastro máximo de 45 kg na 4ª etapa, não se apresentou tão competitiva como nas provas anteriores e perdeu a liderança do campeonato ao abandonar com uma falha de transmissão no carro #90. A trinca Salih Yoluç/Charlie Eastwood/Jonathan Adam caiu para quarto na classificação e espera melhor sorte na próxima.

Pois é… a próxima poderia muito bem ser as 6h de São Paulo. Mas o amadorismo dos promotores e a “jenialidade” em não pagar o que os organizadores do campeonato pediram nos levaram para o limbo e para mais uma vergonha patrocinada no débito ou no crédito.

A próxima etapa será a Lone Star Le Mans em Austin, dia 23 de fevereiro. E o blogueiro aqui estará de férias do trampo no Fox Sports, curtindo merecidamente o seu Carnaval.

E aproveito o ensejo para agradecer, de coração, a vocês que nos assistiram nas provas da Super Season 2018/19 neste ano e também as que exibimos ao vivo ou em compacto, na Super Season 2019/20.

Ano que vem tem muito mais FIA WEC!

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1 comentário

  1. Fernando Silva disse:

    No geral, uma ótima corrida com grandes disputas em todas as classes, embora nas duas de protótipos tenha havido um domínio na ponta.
    A GTE Pro foi sensacional pela intensidade das disputas entre Ferrari e Aston Martin, principalmente. O novo Aston Martin mostra uma clara evolução de performance e confiabilidade. Sobre a falta de mais carros para a classe, eu não vejo outra saída que não seja passarem a adotar a configuração GT3, como já ocorre no Asian Le Mans Series e no próprio IMSA com a classe GTD. Isso certamente trará mais equipes e fabricantes, principalmente pelo fato das três fabricas envolvidas nas classes GTE.
    Espero para as corridas de 2020 ver o agora tricampeão Daniel Serra e Felipe Fraga subindo ainda mais o sarrafo das disputas.

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