Toyota GR010 Hybrid: o primeiro Hypercar

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RIO DE JANEIRO – Após a divulgação oficial das primeiras fotos em testes, ainda camuflado, a Toyota apresentou hoje em caráter definitivo o Hypercar da marca oriental para a disputa do Mundial de Endurance (FIA WEC) na temporada 2021, prevista para começar em março nos EUA, com as 1000 Milhas de Sebring.

Com inspiração no modelo GR Sport Hypercar da Toyota, o GR010 Hybrid atende ao novo regulamento técnico da categoria substituta da LMP1. Será equipado com motor 3,5 litros V6 de duplo turbo – o TS050 Hybrid tinha mecânica 2,4 litros – e movido a gasolina, com câmbio de sete marchas e sistema de freios hidráulicos atuando nas rodas traseiras. O trabalho de concepção e desenvolvimento durou um ano e meio, em duas frentes: Higashi-Fuji, no Japão e Colônia, na Alemanha.

Além do propulsor a combustão, o GR010 Hybrid tem um sistema híbrido para atuar nas rodas dianteiras, dispendendo 200 kW (272 cavalos de força). O motor estará limitado a 680 cavalos e a potência máxima de 1000 HP por regulamento técnico só será liberada nas longas retas de Le Mans.

O Hypercar, por regulamento, tem também peso mínimo de 1.040 kg – é 162 kg mais pesado que o protótipo LMP1 usado até o ano passado. E também a potência líquida do motor é 32% menor que a mecânica dos japoneses que equipava o TS050 Hybrid. Também é um carro mais comprido, mais alto e mais largo.

Com isso, será atingida a meta do ACO em reduzir para em torno de 3’20” por volta os tempos dos carros da principal categoria, já que o recorde da pista alcançado por Kamui Kobayashi há pouco mais de três anos na definição do grid das 24h de Le Mans de 2017 é de 3’14″791, média de 251,882 km/h.

O lineup de pilotos está inalterado: os campeões Koba, Mike Conway e José María López seguem no carro que terá o dorsal #7, enquanto o #8 será mais uma vez conduzido por Sébastien Buemi/Kazuki Nakajima/Brendon Hartley. O holand^ês Nyck De Vries é o eventual piloto de testes e reserva do fabricante japonês para qualquer mudança de última hora que possa ocorrer.

“Em primeiro lugar, estamos muito satisfeitos por ver a Toyota Gazoo Racing entrar em sua nona temporada no WEC – eles têm dado um grande apoio ao campeonato ao longo dos anos e parabéns a todos de Higashi-Fuji e Colônia por criarem uma máquina verdadeiramente magnífica. Este é o início de uma nova era empolgante para as corridas de resistência e para a tecnologia híbrida como um todo, da qual a Toyota continuará sendo parte integrante. Desejamos à equipe todo o sucesso no restante de seu programa de testes e estamos ansiosos para ver o novo Toyota GR010 Hybrid fazer sua estreia nas corridas em breve”, afirmou o novo CEO do WEC, Fréderic Léquien.

A lista de entradas do Mundial de Endurance de 2021 será divulgada na próxima quinta-feira, dia 21. Por superstição, talvez – creio eu, às 12h21 da França, 8h21 da manhã em Brasília. O jeito será colocar mais cedo o despertador e acompanhar esse acontecimento.

A LMH deve ter seis carros inscritos – dois da Toyota, dois da Glickenhaus (sem previsão de estreia), o ByKolles e o LMP1 da Alpine – não se falou mais da Ginetta.

Na LMP2, o Team Jota Sport está garantido com dois carros e outras equipes asseguradas são a campeã United Autosports, o Racing Team Nederland, a DragonSpeed e a Inter Europol Competition.

Porsche e Ferrari devem compor a LMGTE-PRO em 2021, possivelmente reduzida a quatro carros. Parece muito pouco provável que haja times clientes para alinhar carros na classe principal de Grã-Turismo.

A LMGTE-AM tem em princípio a confirmação de três times: Cetilar Racing via AF Corse, com uma Ferrari 488 GTE, o Team Project 1 e a Dempsey Racing-Proton, ambas com Porsche. Veremos se haverá algum Aston Martin na lista de entradas neste ano.

Possivelmente teremos menos de 30 competidores fixos. A ver…

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

16 Comentários

    • Mais uma vez: os DPi são protótipos construídos na plataforma LMP2 e os LMDh assim o serão.

      O LMH teoricamente é um modelo derivado de carros esportivos de alto desempenho, só que com roupagem de protótipo.

      Como o texto diz, o GR010 é mais comprido, alto, pesado, tem outro powertrain e será mais lento que o antigo LMP1 em pelo menos, na estimativa, seis segundos.

      • É uma pena esse “teoricamente”. A FIA deveria retomar a regra de minimo de carros de produção. Acho que poderia atrair mais empresas focadas nesse nicho tão exclusivo. Imagina só a propaganda para uma Bugatti, uma Pagani ou uma McLaren correr e figurar no podium de Le mans com carros que amansados (lembrando que a F1 de rua era mais potente que a GT1) pudessem ser comprados na concessionária.

      • A Bugatti até fez seu Hypercar, andou com ele em Paul Ricard, mas a companhia anda mal das pernas – é o que consta…

        McLaren deve entrar como LMDh, se entrar, já que assinou uma carta de intenções com a Fórmula E.

  • O GR010 se apresenta mais elegante que o LMP1 TS050 na minha opinião, comparando com os dois em perspectiva. De perspectiva o carro parece mais curto apesar de nas especificações ser mais comprido que o LMP. A Toyota agora tem um know-how na parte hibrida de quase 10 anos vai sair um carro bom acredito.

    • Esse é um erro muito comum de quem não acompanha o campeonato, a proposta original da FIA não era uma classe rainha de carros baseados em esportivos, a ideia sempre foi continuar com protótipos, mas com powertrain derivado dos carros de rua. Uma maior liberdade aerodinâmica poderia ajudar quem quisesse deixar seu carro com características mais próximas as ruas, só isso. O nome Hypercar é só isso mesmo, um nome.

      A única mudança substancial foi quando a Aston Martin pré Lawrence Stroll declarou que tinha intenção de correr com um protótipo baseado no Valkyrie AMR Pro. Ai sim teríamos um carro com base em um modelo de rua – se é que dá pra chamar o Valkyrie de “carro de rua” -, mas a desistência do construtor britânico devolveu a classe a seu conceito original.

      Glickenhaus e Kolles já divulgaram imagens digitais e seus carros, são basicamente LMPs e o da Peugeot também será, pode ter certeza.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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