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4 de junho de 2017 - 15:1524 Horas de Le Mans

24 Horas de Le Mans: Toyota domina Journée Test

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O carro #7 da trinca Sarrazin/Kobayashi/Conway saiu do Journée Test com o melhor tempo, após uma simulação de classificação. O tempo de Koba foi 1″158 mais rápido que o 2º colocado em Sarthe (Foto: Dailysportscar.com)

RIO DE JANEIRO - A Toyota dominou as duas sessões de treinos coletivos – o Journée Test – da 85ª edição das 24 Horas de Le Mans. Os três protótipos TS050 Hybrid do construtor japonês lideraram a folha de tempos neste domingo com os três melhores tempos, deixando a Porsche para trás e dando uma impressão inicial de que finalmente a escrita tem tudo para ser quebrada. Ano passado, eles perderam a corrida na última volta e pode ser que dessa vez seja diferente.

No primeiro treino pela manhã, o carro #8 foi o mais rápido. É o protótipo que está inscrito para Anthony Davidson/Kazuki Nakajima/Sébastien Buemi e que teve também Yuji Kunimoto como “reserva”. E Nakajima foi o autor da volta mais rápida em 3’20″778 (média de 244,4 km/h), após 49 passagens.

À tarde, numa simulação de qualificação, Kamui Kobayashi melhorou bastante o tempo mais rápido do primeiro treino e alcançou a incrível marca de 3’18″132 (247,6 km/h de média). Já há quem preveja a pole position daqui a duas semanas girando na faixa de 3’15″ – o recorde atual da pista é 3’16″887 com Neel Jani, há dois anos.

Além de velocidade, a Toyota mostrou confiabilidade: o carro #9 da trinca Nicolas Lapierre/Yuji Kunimoto/José María López completou nada menos que 106 voltas ao longo das oito horas de pista disponíveis para os pilotos. Como o traçado tem 13,629 km de extensão, façamos as contas: esse bólido percorreu num único dia de treinos nada menos que 1.444,674 km – perto de um terço do que se percorrerá ao longo da disputa nos dias 17 e 18 deste mês.

A Porsche teve um treino atribulado: o carro #2 atropelou um obstáculo e teve danos na seção dianteira e no assoalho. O motor também precisou ser trocado entre as duas sessões de treinos, já que vazava óleo. Quando o carro voltou a pista, Earl Bamber conseguiu andar em 3’21″512 e fez o quarto tempo do dia. Mas a trinca formada pelo neozelandês, por Brendon Hartley e Timo Bernhard (Marc Lieb estava como reserva) foi a que menos andou entre os LMP1 de fábrica – 74 voltas apenas.

Os alemães também optaram por não fazer simulações de classificação, o que seja talvez o fator que explica a diferença para os Toyota. O carro #1 de Neel Jani/Andre Lotterer/Nick Tandy, também com Lieb na suplência, virou em 3’22″100.

O ByKolles CLM P1/01, único protótipo da classe principal que pertence a um time privado, começou apanhando de vários LMP2 no treino matinal. O ritmo do carro equipado com o motor Nissan já era melhor do que no ano passado, mas insuficiente para superar os carros da classe inferior. À tarde, Marco Bonanomi encaixou uma boa volta e cravou 3’28″701 – quase cinco segundos melhor que o 3’33″025 do último Journée Test, quando a equipe de Colin Kolles tinha o motor AER P60 biturbo.

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A Signatech Alpine conseguiu o melhor tempo da LMP2 e André Negrão foi o mais rápido entre os pilotos brasileiros inscritos (Foto: Lemans.org)

Entre os LMP2, a Signatech Alpine fez o melhor tempo nas duas sessões. Além de cumprir o mínimo de 10 voltas obrigatórias a um piloto estreante no circuito, o brasileiro André Negrão abriu os trabalhos no treino matinal com a volta mais rápida em 3’29″809. Na parte da tarde, o francês Nelson Panciatici melhorou ainda mais o tempo do carro #35 da equipe francesa e estabeleceu 3’28″146.

A título de comparação, o melhor tempo no Journée Test da LMP2 ano passado, com outro regulamento, foi 3’36″690. Olha só a diferença que fazem 150 HP a mais no motor e o kit de aerodinâmica de baixo arrasto que os protótipos usam em Sarthe. A diferença foi de quase nove segundos a favor neste ano e poderá ser maior que essa em ritmo de classificação. Alex Brundle, da Jackie Chan DC Racing, prevê uma pole em torno de 3’26″, o que não é impossível, já que dois dos três treinos serão disputados à noite, quando a temperatura mais fria ajuda na pressão aerodinâmica.

Esse ritmo dos LMP2 hoje lembra o que era a LMP1 dos protótipos não-híbridos. Em potência de motor, são carros até inferiores que aqueles Audi e Peugeot Turbodiesel, que há 10 anos atrás fizeram a pole position em 3’26″344. Mas o que têm de aerodinâmica superior é uma grandeza. A prova disso é que o top speed do Journée Test foi de um protótipo LMP2: o italiano Roberto Lacorte, da Cetilar Villorba Corse, chegou a 341,3 km/h com seu Dallara no ponto de medição da velocidade máxima. O melhor dos LMP1 híbridos era apenas o 13º da lista – 330,8 km com Kazuki Nakajima.

O outro protótipo da divisão que virou abaixo de 3’29″ no Journée Test foi o carro #24 da Manor, segundo da classe ao fim dos treinos com 3’28″844, numa volta muito boa do francês Jean-Eric Vergne. A Jackie Chan DC Racing ficou com a terceira e quinta posições, com o #26 da G-Drive Racing, assistido pela escuderia TDS Racing, em quarto.

O #13 da Vaillante Rebellion ficou com a 6ª melhor marca: Mathias Beche registrou 3’30″150 e o carro do time anglo-suíço fechou os treinos com 62 voltas percorridas. Nelsinho Piquet não andou pela manhã e à tarde completou 18 giros, o mais rápido em 3’30″696.

Bruno Senna fez a volta mais rápida do #31 durante o domingo: com 3’30″535, a melhor de suas 21 passagens, o sobrinho do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna foi o décimo na classificação entre os LMP2.

Rubens Barrichello completou suas primeiras voltas na pista e figurou como o segundo mais rápido no speed trap (340,4 km/h) ao longo do dia. Mas em matéria de performance no resto do traçado o Dallara P217 ainda ficou devendo em relação aos Oreca: o melhor tempo do experiente piloto foi 3’33″304, após 40 voltas. Entre os 25 carros da categoria, a Racing Team Nederland ficou com a 16ª colocação. Já o melhor LMP2 não-Oreca foi o Ligier #32 da United Autosports, com Filipe Albuquerque a marcar 3’31″907.

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A Corvette se revezou com a Porsche nos primeiros lugares na LMGTE-PRO e o carro de Oliver Gavin/Tommy Milner/Marcel Fässler foi o mais rápido (Foto: John Dagys/Sportscar365.com)

Na LMGTE-PRO, a Corvette aproveitou os minutos finais da sessão para mandar Oliver Gavin à pista e superar o tempo do Porsche #91 de Fred Makowiecki. O britânico encaixou uma boa volta em 3’54″701 e foi o piloto mais rápido da categoria no Journée Test, após 74 voltas. Aliás, Porsche e Corvette se revezaram nas quatro primeiras colocações, seguidos pelos dois Aston Martin oficiais de fábrica.

Antes favoritos, os Ford GT EcoBoost e as três Ferrari 488 GTE foram superadas – estariam escondendo o jogo? Certo é que a melhor Ferrari foi a #71 da AF Corse com 3’55″385, tempo cravado por Davide Rigon. E o Ford mais veloz do dia foi o de Richard Westbrook, em 3’57″536.

Entre os brasileiros que treinaram – a exceção foi Tony Kanaan, que está a serviço da Ganassi no GP de Detroit da Fórmula Indy – Lucas Di Grassi completou 37 voltas com a Ferrari #51 da AF Corse, conseguindo a marca de 3’56″265. Daniel Serra andou somente pela manhã, completando as 10 voltas obrigatórias para os pilotos novatos na pista – e fez um bom tempo com o Aston Martin #97, virando 3’56″735. Pipo Derani deu 45 voltas, a melhor delas em 3’58″046.

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Pedro Lamy superou o tempo do brasileiro Fernando Rees e fez a melhor volta na LMGTE-AM com o Aston Martin oficial de fábrica (Foto: John Dagys/Sportscar365.com)

Entre os LMGTE-AM, o português Pedro Lamy conseguiu uma volta excelente e registrou o melhor tempo do teste em sua categoria – 3’58″250. O piloto da Aston Martin foi apenas 0″052 mais rápido que o brasileiro Fernando Rees, outro que andou muito bem com o Corvette C7-R da escuderia francesa Larbre Competition.

Matteo Cairoli foi o 3º colocado com o Porsche 991 RSR da Dempsey Racing-Proton, tendo sido o mais rápido na parte matinal dos testes. O italiano rodou em 3’58″449, seguido pela Ferrari do estadunidense Townsend Bell – 3’58″599 e por Marco Cioci, em 3’58″804. Onze dos 16 carros inscritos viraram abaixo de 4 minutos na categoria. E o pior tempo entre os 60 inscritos foi do #60 da Clearwater Racing, com Hiroki Katoh alcançando 4’05″248.

O companheiro dele, Richard Wee (outro dos estreantes em Sarthe), fechou a raia como o mais lento: entre titulares e reservas, treinaram 187 pilotos e o tempo do representante de Cingapura foi disparado o pior – 4’11″411.

Nesta semana, várias equipes devem efetuar treinos no circuito Bugatti, de menor extensão. As atividades de pista para a 85ª edição das 24 Horas de Le Mans serão retomadas na quarta-feira, dia 14 de junho, com a realização de uma sessão de treinos livres e a disputa do primeiro treino classificatório, que já indicará a pole provisória ou – dependendo se o tempo piorar no dia seguinte – definitiva.

5 comentários

  1. Ricardo disse:

    Lendo seu texto, se entendi direito, os melhores LMP1 vão andar na casa dos 3:18 – 3:22 durante a prova. E os LMP2 vão de 3:28 a ,,, 3:35 . Sendo que de topo speed parece que os LPM2 em principio estão mais rápidos. Isso me anima no ponto de vista que há uma chance melhor este ano, do que o ano passado dos LMP2 chegarem no podio da geral. Temos poucos LMP1 e vai que um ou outro tem problemas e percam voltas, mesmo que terminem rodando dá para um LMP2 que passar ileso chegar disputando posição. Ok, isso é quase um sonho, uma viagem, visto que 3:18 por volta significa um carro mais ou menos 5% mais rápido que um que rode a 3:28, o que para equiparar as distâncias no final significa que o LMP1 deveria perder mais de uma hora no boxes. (obs.: Antes que me apedrejem, fiz apenas umas contas simples, nem fui atrás de pesquisar autonomia, tempo de parada de boxes, etc..Fiz a conta apenas pelo tempo de volta…)

  2. Gustavo disse:

    Acho que o Wec é um grande campeonato, mesmo se não tivesse le mans ,acompanho sempre as provas pela Internet e concluo que esse ano temos a menor diferença da história do wec da LMP1 para a Lmp2 em termos de tempo de volta e imagine só se todos os LMP1 não completassem a prova, com apenas 5 carros lmp1 híbridos não podemos considerar isso impossível mas vamos ter um equilíbrio muito grande e olho no trio B.Senha,N.Prost e J.Canal 2 platinas e 1 prata e fico um pouco triste por termos 9 Basileiros e nenhum brigando pela vitória geral na LMP1 o que nunca conseguimos em Sarthe

  3. Fernando Matias disse:

    Eis que aqui estou de queixo caído com os novos LMP2 com velocidades acima de 340km/H, ou seja 10/15km mais rápidos na Mulsanne que os P1!!
    Pessoal da P1 pode se preparar pra apertar o botão do farol mais vezes, pois terão um forte problemas em ultrapassar nas retasos P2.

  4. Rafael Z disse:

    Rodrigo, quanto custa para um gentleman driver tipo esse Richard Wee alugar um banco em Le Mans ? Tô só pelo sonho mesmo….obigado, abraço

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