FIA WEC/IMSA, Hypercar/GTP: quem, onde e quando?

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RIO DE JANEIRO – É oficial: a BMW Motorsport anunciou nesta terça-feira (26) seu regresso ao Mundial de Endurance e às 24h de Le Mans como o novo fabricante dentro do regulamento LMDh/Hypercar adotado como convergência tecnológica entre WEC e IMSA. Os bávaros, que testaram ontem o protótipo BMW M Hybrid V8 no Autódromo Riccardo Paletti em Varano de Melegari, próximo à cidade italiana de Parma e utilizado como pista de testes da Dallara, em cuja plataforma foi montada o carro novo, confirmaram presença naquela competição daqui a dois anos – em 2023, começam na IMSA.

Dessa forma, o blog A Mil Por Hora vai apresentar a vocês o panorama que se avizinha incrível para as séries mundial e estadunidense a partir do próximo ano, com a mudança de regulamento da IMSA, que troca os DPi pela plataforma LMDh – lá, serão conhecidos como GTP. No WEC, todos serão chamados Hypercar, independentemente da construção.

Acompanhe o post.

Acura
Modelo: ARX-06C
Plataforma: Oreca
Regulamento: LMDh
Motor: Acura (powerplant não definido) + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

A Acura, leia-se Honda, fez os primeiros quilômetros do novo ‘brinquedo’ em Magny-Cours, na França, país onde a Oreca mantém sua base. O ARX-06C segue a mesma filosofia do protótipo DPi construído com base no modelo 07 LMP2, duas vezes campeão com a Penske e que briga ainda pelo título da IMSA neste ano de 2022. A marca terá como clientes as mesmas escuderias das últimas duas temporadas: a Wayne Taylor Racing (WTR) e a Meyer-Shank Racing (MSR). Nada de Le Mans ou WEC para o construtor – serão dois carros na IMSA.

BMW
Modelo: M Hybrid V8
Plataforma: Dallara
Regulamento: LMDh
Motor: BMW 4 litros biturbo V8 + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

A BMW inicia sua trajetória dentro das novas regras de convergência de protótipos somente na IMSA. Em 2023, a equipe de Bobby Rahal, David Letterman e Mike Lanigan terá dois carros full season na série GTP com o novo M Hybrid V8, dotado do mesmo motor utilizado há alguns anos nos carros do DTM. No ano seguinte, vão ‘atacar’, como dito na abertura do post, no WEC e Le Mans.

Será que a Acura vai ficar falando sozinha? Parece…

Cadillac
Modelo: Codinome ainda não revelado
Plataforma: Dallara
Regulamento: LMDh
Motor: Cadillac V8 DOHC 5,5 litros + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

O construtor estadunidense vai em duas frentes já em 2023 com pelo menos três carros e duas equipes anunciadas: a Chip Ganassi Racing representa a Cadillac no IMSA e também no WEC, com um protótipo em cada série e a Action Express fica somente nos EUA com mais um carro pelo menos – não está descartada a hipótese de um Caddy nas provas do Michelin Endurance Cup, mas ao mesmo tempo não é disparatado achar que isto pode ficar somente para 2024.

Ferrari
Modelo: Codinome ainda não revelado
Chassi: Ferrari
Regulamento: LMH
Motor: Ferrari (powerplant não definido) + Sistemas híbridos

A Ferrari fez o rollout de seu Hypercar em Fiorano, sua pista de testes, com pilotos do programa Ferrari GT Competizione de responsabilidade de Antonello Coletta. O running será feito pela AF Corse, de Amato Ferrari. Serão dois carros full season no WEC em 2023, ano que marca a volta dos italianos com equipe de fábrica às 24h de Le Mans na classe principal da competição após meio século fora.

Glickenhaus
Modelo: SCG 007 LMH
Chassi: Podium Engineering
Regulamento: LMH
Motor: Pipo Moteurs 3,5 litros biturbo V8 – sem sistemas híbridos

A Glickenhaus, que surpreendeu nas 6h de Monza com pole position nos treinos e o forte ritmo de seu Hypercar sem sistemas híbridos – convive com a falta de fundos, o que impedirá a aparição da equipe nas 6h de Fuji este ano. Para 2023, a previsão é que a equipe seja inscrita de forma parcial no WEC, dependendo do aporte financeiro. Nas 24h de Le Mans, a previsão é de reserva de inscrição para dois chassis SCG 007 LMH.

Isotta Fraschini
Modelo: Codinome não revelado
Chassi: Michelotto
Regulamento: LMH
Motor: Isotta Fraschini 6 cilindros sem capacidade cúbica ou arquitetura definida, sob medida para receber sistemas híbridos

A página DailySportscar.com foi quem levantou a lebre: a Isotta Fraschini, marca datada do século XIX e fundada por Cesare Isotta em sociedade com os irmãos Antonio, Oreste e Vincenzo Fraschini – posteriormente extinta um século depois e retomada pelo grupo Fincantieri em Bari – teria planos de ingressar no FIA WEC em 2023 dentro do regulamento Hypercar com um modelo que já estaria em construção no ateliê Michelotto, por anos responsável por dar forma às Ferrari de Grã-Turismo de competição. Por enquanto, sem nenhum acordo firmado, tudo não passa de especulações.

Peugeot
Modelo: 9X8
Chassi: Peugeot
Regulamento: LMH
Motor: Peugeot 2,6 litros biturbo V6 + Sistemas híbridos com entrega de potência através do eixo dianteiro

O inovador 9X8, dotado de mini-asas traseiras ao invés de um aerofólio ‘normal’ é a aposta da Peugeot para a partir da recém-disputada edição das 6h de Monza com vistas ao WEC a tempo inteiro e as 24h de Le Mans de 2023. Ausentes das provas longas após quase doze anos, os franceses jogaram todas as suas fichas num conceito de construção de chassi onde todo o ganho de downforce é concentrado no assoalho do protótipo. Num primeiro momento, vão com dois carros oficiais no WEC no próximo ano – mas um carro não-oficial é bem plausível.

Porsche
Modelo: 963
Plataforma: Multimatic
Regulamento: LMDh
Motor: Porsche 4,6 litros biturbo V8 + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

Possivelmente a Porsche é, dentre os construtores anunciados, quem tem a maior carga de desenvolvimento de novos carros para a temporada que vem. O modelo 963 é o que há mais tempo anda em testes e o carro foi apresentado em caráter oficial no fim de junho. O Team Penske representa a marca de Stuttgart como equipe de fábrica com quatro carros – dois no WEC e dois na IMSA.

Haverá também times privados, sendo confirmados dois até o momento: a JDC-Miller Motorsports na IMSA e a JOTA Sport, com o apoio da Hertz, no WEC. Oito carros são previstos para 2023, sendo que o segundo Porsche 963 privado nos EUA pode parar nas mãos da A.J. Foyt Racing, enquanto no Mundial de Endurance as últimas especulações descartam a Dempsey-Racing Proton como time cliente – a Porsche prefiriria não trazer outra equipe de LMP2 e tampouco uma de LMGTE-AM para a empreitada.

Toyota
Modelo: GR010 Hybrid
Chassi: TMG
Regulamento: LMH
Motor: Toyota 3,5 litros biturbo V6 + Sistemas híbridos com entrega de potência através do eixo dianteiro

Insatisfeita com as performances do GR010 Hybrid, que apesar de uma série de modificações não domina a temporada 2022 como no ano passado, quando o regulamento Hypercar entrou em vigor substituindo a extinta LMP1, a Toyota cogitaria mudar radicalmente o conceito de seu LMH e substituir o modelo atual por um novo protótipo – mas isso só deve acontecer em 2024. Até lá, a Toyota segue com dois carros e sendo o único construtor a disputar todas as temporadas do WEC desde 2012, embora naquele ano a estreia tenha sido na 3ª etapa em Le Mans.

“Vanwall”
Modelo: Codinome não revelado
Chassi: Kodewa
Regulamento: LMH
Motor: Gibson GK458 4,5 litros V8 – sem sistemas híbridos

A ByKolles do sinistro Colin Kolles vem levando a cabo testes de desenvolvimento de seu Hypercar que, em princípio, foi batizado Vanwall – reconduzindo assim o primeiro construtor campeão mundial de F1 em 1958 ao cenário do automobilismo internacional em mais de meio século.

Mas há um problema mais grave do que a não-homologação do carro, que ocasionou o veto à presença do time no WEC em 2022: a questão do uso do nome Vanwall é que está pegando e muito nos bastidores. Há um processo em andamento no Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia e essas complicações podem levar o projeto a se tornar um ovo gorado. Tom Dillmann foi quem conduziu o – por enquanto – Vanwall LMH em testes no EuroSpeedway em Lausitz, na Alemanha. Caso o imbróglio se resolva, devem vir com um carro.

A partir de 2024:

Alpine
Modelo: A500 (possivelmente, seguindo o padrão da marca)
Plataforma: Oreca
Regulamento: LMDh
Motor: Alpine (powerplant não definido) + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

Representando o grupo Renault, a Alpine se beneficia do teto de gastos da Fórmula 1 e incorpora um investimento mais pesado no Endurance com vistas à temporada 2024 – no ano que vem, a marca de Dieppe deve ‘cair’ para a LMP2 e fazer um ano de transição, pois o Hypercar dos franceses nos últimos anos é um velho LMP1 ‘anabolizado’ em 2018 e já com quatro temporadas nas costas – era o Rebellion R18 que virou Alpine A480 com a anuência de ACO/FIA.

O Alpine LMDh deve vir às pistas com o codinome A500 e montado na plataforma Oreca – a mesma do Acura – porém, sem motor ainda confirmado e sistemas híbridos padrão conforme o regulamento de convergência IMSA/ACO/FIA. É possível que um carro participe também nos EUA, mas com o nome Nissan – outra marca do grupo e muito popular no mercado da América do Norte e a representante da Alpine seria a Andretti – no WEC será a Signatech, de Philippe Sinault.

Lamborghini
Modelo: Codinome não definido
Plataforma: Ligier
Regulamento: LMDh
Motor: Lamborghini (powerplant não definido) + Sistemas híbridos Bosch/Williams/XTrac

De propriedade do Volkswagen Auto Group (VAG), a Lamborghini preencherá no Endurance a lacuna da Audi – uma vez que a marca dos quatro anéis, além da Porsche, vai para a Fórmula 1 dentro do regulamento técnico a vigorar a partir de 2026. O investimento que seria concentrado num LMDh foi repassado com vistas ao tão sonhado ingresso da marca de Wolfsburg na categoria máxima, através de duas de suas subsidiárias, com a Audi absorvendo o que é hoje a Alfa Romeo (leia-se Sauber) e a Porsche em parceria tecnológica com o grupo Red Bull.

Voltando ao Endurance, a Lamborghini entra em 2024 apenas no regulamento LMDh na plataforma da francesa Ligier, com um desenvolvimento de aerodinâmica e mecânica feito pelos engenheiros da casa de Sant’Agata e em duas frentes – WEC e IMSA – com equipes ainda a definir. A Squadra Corse da marca confirmou que os testes de desenvolvimento do carro serão confiados aos italianos Andrea Caldarelli e Mirko Bortolotti – ambos devem ser alocados em alguma dessas duas competições. A Audi tinha Nico Müller e René Rast, atualmente em times LMP2 no radar – não se sabe se ambos serão aproveitados mais para frente nesse programa, uma vez que a casa de Ingolstadt tão cedo retornará ao Endurance com protótipos.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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