24h de Le Mans: acidente e chuva atrapalham definição dos carros à Hyperpole e Toyota é líder por um décimo

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RIO DE JANEIRO – A sessão classificatória para a 90ª edição das 24h de Le Mans teve uma velha convidada que se fez presente: a chuva. Com apenas uma hora de pista para definir os 23 classificados à Hyperpole, tudo se resolveu faltando pouco menos de meia hora para o final de uma acidentada sessão, onde vários carros foram pegos por abuso de track limits e houve uma bandeira vermelha que, junto à pista molhada, decidiu tudo.

O carro #93 pilotado pelo ator de Hollywood Michael Fassbender, que busca a estreia em La Sarthe, teve um furo de pneu no approach da primeira chicane do retão Les Hunaudières. Fassbender, provavelmente por inexperiência, não se deu conta e quando freou, as rodas travaram. O alemão-irlandês perdeu o controle do Porsche 911 RSR – 19 e bateu forte nas barreiras do lado de dentro do traçado. Felizmente o piloto nada sofreu e o carro teve danos consideráveis.

A interrupção com pouco mais de meia hora no relógio acabou sendo decisiva para o treino classificatório. Foram 13 minutos de bandeira vermelha e, caso não houvesse o acidente, talvez a chuva fosse uma mínima influência na definição dos classificados para lutar pela pole nas quatro classes em disputa no WEC e nas 24h de Le Mans.

Com 3’27″247 registrados logo no comecinho da sessão, a Toyota e Kamui Kobayashi lideraram a folha de tempos, mas a Glickenhaus deu trabalho: Olivier Pla ficou com a segunda marca a um décimo do construtor oriental, deixando o segundo carro da marca estadunidense também abaixo de 3’28”.

O Alpine conseguiu a quarta marca geral com 3’29″656 num tremendo esforço de Nico Lapierre, enquanto o #8 que fora o mais rápido do TL1 pela manhã, teve a suspensão e o eixo de transmissão trocados, demandando uma perda preciosa de tempo. Quando Brendon Hartley entrou na pista, logo após o acidente de Fassbender, começou a chover. A modesta marca de 3’40″842 deixou o carro em 29º geral – mas por ter cinco inscritos na Hypercar, o Toyota passou mesmo assim à Hyperpole.

Mas as falhas têm sido uma preocupação constante nas hostes nipônicas. Tanto que abertamente se comenta que a Toyota vai jogar o GR010 Hybrid na lata do lixo e partir para um novo conceito de Hypercar com vistas à temporada 2023.

Robin Frijns marcou o melhor tempo e liderou o pelotão da LMP2 com o Team WRT, atual campeão da prova na categoria. O holandês andou em 3’29″898 e foi o 5º mais rápido na geral. As demais equipes que avançaram à Hyperpole são a Jota com o #38 de Antonio Félix da Costa/Will Stevens/Roberto González, o #41 da RealTeam by WRT, os dois carros da United Autosports e o #9 da Prema Orlen Team.

Felipe Nasr deu seu máximo, mas o Team Penske não avançou à Hyperpole: o brasileiro fez o 9º tempo. Durante a sessão classificatória, ele queixou-se que o carro perdia três décimos – pelo menos – nas Porsche Curves e que estava com uma tendência feia de saída de frente. A melhor volta foi em 3’31″462 – o carro larga em nono na classe e 14º geral, já que está pré-estabelecido que o grid é formado na ordem por Hypercars, LMP2, LMGTE-PRO e LMGTE-AM.

Tampouco a Inter Europol Competition do brasileiro Pietro Fittipaldi chegou lá – e, pior, ficou em último entre os 24 LMP2 que marcaram tempo. Fabio Scherer teve a melhor volta do #43 deletada e tudo o que conseguiram fazer foi 3’38″491. A TDS Racing x Vaillante teve todas as voltas do #13 eliminadas por abuso de Track Limits e dois carros não treinaram: o #10 da Vector Sport por troca de motor e o #45 da Algarve Pro Racing por danos no chassi após o acidente mais cedo com Steven Thomas.

Na LMGTE-PRO, passaram à disputa da pole os seis carros de fábrica, obviamente sobrando a Riley – Felipe Fraga ficou a 3″117 do melhor tempo – que foi 3’50″999, cravado pelo Porsche do belga Laurens Vanthoor. Antonio Garcia estabeleceu um tempo um décimo acima do rival e Fred Makowiecki, no Porsche #91, ficou em terceiro à frente do segundo Corvette e das duas Ferrari da AF Corse. Os seis carros separados por 0″615.

A LMGTE-AM teve a NorthWest AMR cravando todo mundo com Nicki Thiim levando o #98 ao topo da tabela na classe com a marca de 3’52″959, nove décimos melhor que o #57 da Kessel guiado pelo piloto da Peugeot Mikkel Jensen. A AF Corse terá dois carros na Hyperpole, com Nick Cassidy classificando o #54 em terceiro e Vincent Abril o#61, com a sexta vaga.

A suíça Rahel Frey pôs as Iron Dames na disputa pelo melhor tempo, marcando a quarta melhor volta em 3’54″081, à frente do único Porsche classificado, o #77 da Dempsey-Proton Racing.

Abril pegou a vaga na qualificação por sete milésimos sobre o Porsche da GR Racing guiado por Ben Barker – mas podia ter sido diferente: o #71 da Spirit of Race, com Gabriel Aubry, perdeu todas as voltas por excesso de Track Limits – na melhor delas, o francês tinha conseguido superar o #77 da Dempsey-Proton e o carro #61 do time de Amato Ferrari não passaria à Hyperpole.

Os carros voltam à pista hoje para mais um treino livre, com início às 22h locais, 17h de Brasília. Essa sessão terá duração de duas horas e acontece totalmente à noite.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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