Uma vitória improvável: JDC-Miller fatura 12h de Sebring sensacionais

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Bourdais (centro) festeja com os compatriotas Duval e Vautier uma inesperada vitória nas 12h de Sebring, segunda prova da IMSA em 2021 (Foto: Mike Levitt/IMSA)

RIO DE JANEIRO – Mais uma edição das 12h de Sebring que entra para o prontuário das emocionantes provas da história do Endurance. Com todos os requintes possíveis, acidentes, bandeiras amarelas e reviravoltas surpreendentes e históricas. Uma corrida daquelas de encher os olhos, valendo como 2ª etapa do IMSA Weathertech SportsCar Championship e IMSA Michelin Endurance Cup.

Nas cinco categorias, não faltou emoção e também quem desperdiçasse a oportunidade de vencer. Erros capitais deram a tônica de uma corrida disputada de forma intensa do início até o final, com 349 voltas completadas e uma decisão por apenas um segundo e meio de vantagem.

E no fim das contas, um vitorioso improvável: o Cadillac DPi da JDC-Miller Motorsports – equipe que tem o brasileiro Christian Fittipaldi como diretor esportivo, considerado um dos azarões e que perdera quase três voltas não só por problemas no início e também por um enrosco com outro adversário, encontrou espaço para a recuperação por conta do acúmulo de intervenções do Safety Car que puseram de volta o #5 no jogo.

Foi impossível descartar a oportunidade e, mesmo com uma falha na asa traseira, o carro de Loïc Duval/Tristan Vautier/Sébastien Bourdais recebeu a quadriculada como primeiro colocado, de um jeito que eles jamais podiam imaginar que viria – diante de tantas dificuldades e problemas.

Sem contar os erros dos favoritos, começando pelo dia de cão do #31 pole position dos brasileiros Felipe Nasr e Pipo Derani, mais Mike Conway. Com Derani a bordo no primeiro stint, veio o primeiro problema: uma manobra otimista demais do brasileiro no afã de recuperar a ponta perdida para Renger Van der Zande resultou no contato do Cadillac com o muro interno da tomada da curva #16. O carro apanhou danos na suspensão e no conserto foram perdidas quatro voltas.

Mais tarde, Nasr pegou pela proa exatamente o Cadillac da JDC-Miller, quando este saía de um reabastecimento. Àquela altura, eles tinham conseguido recuperar duas voltas praticamente e poderiam estar no jogo na reta final. Mas pela premência do tempo, isso foi impossível. Depois, o carro irremediavelmente quebraria com Mike Conway a bordo.

“Quer perder um pódio certo? Pergunte-me como!” A Action Express jogou fora o 3º lugar do #48 por um erro do tempo de condução de Simon Pagenaud por 50 segundos a mais num turno de quatro horas. Trinca ficou em último na DPi (Foto: Mike Levitt/IMSA)

Para completar o dia ruim da Action Express, um erro do cálculo de tempo máximo na pista de um de seus pilotos deixou o #48 inscrito no IMEC em último entre os DPi: Simon Pagenaud guiou um stint de 4h e cinquenta segundos – o máximo de tempo são quatro horas numa janela de seis. É regra mundial, inclusive em Le Mans. E nessa, de nada adiantou ao pequeno francês e a Kamui Kobayashi, além do multicampeão da Nascar Jimmie Johnson. Perderam o pódio por conta deste erro crucial.

Se serve de consolo, até um grande campeão como Scott Dixon também teve sua cota de erros nas 12h de Sebring. Num dos últimos turnos de reabastecimento, o piloto do #01 da Ganassi fez uma lambança na entrada do pit lane e colidiu com uma das duas BMW da classe GTLM. O resultado foi um dano que custou à trinca que tinha ainda Renger Van der Zande e Kevin Magnussen grandes chances de vitória. Mais uma corrida em que a CGR é traída pelo azar. Em Daytona, também tinham possibilidades e lá foi um pneu que furou.

A vitória incrível dos franceses da JDC-Miller foi coadjuvada assim pela Mazda, que em sua última disputa nas 12h de Sebring quase foi bicampeã consecutiva do evento, trazendo na 3ª colocação o Acura ARX-05C da Meyer-Shank Racing guiado por Dane Cameron/Olivier Pla/Juan Pablo Montoya.

Na LMP2, a PR1/Mathiasen compensou a frustração da falha que a deixou de fora na primeira etapa, vencendo desta vez com o trio Scott Huffaker/Mikkel Jensen/Ben Keating, derrotando a ERA Motorsport, vitoriosa em Daytona. A United Autosports, após vários problemas do #22 de Jim McGuire/Wayne Boyd/Guy Smith completou o pódio de uma categoria que viu um de seus carros protagonista de um dos grandes acidentes das 12h de Sebring.

O #8 da Tower Motorsport by Starworks, guiado por Timothè Buret, saiu da pista na curva #3 e acabou capotando. Felizmente, sem consequências graves a não ser um p* susto e o carro inteiramente destruído.

Na subclasse LMP3, o nível técnico foi bem mais aceitável em relação à primeira etapa e o pelotão andou mais próximo durante a corrida. Em que pese o líder inicial ter abandonado – o #38 da Performance Tech, pole position nos treinos – além dos problemas do #83 e eventuais erros e falhas, a disputa ficou aberta até o final. Ganhou a CORE Autosport com George Kurtz/Colin Braun/Jonathan Bennett, deixando a Riley Motorsports em segundo e terceiro, respectivamente com Jim Cox/Dylan Murry/Jeroen Bleekemolen e Scott Andrews/Gar Robinson/Spencer Pigot.

Já nas categorias de Grã-Turismo, a Porsche mais uma vez comprovou sua vocação de vencedora – sendo que na GTLM, ninguém esperava por essa: Corvette e BMW se enroscaram no final e a Weathertech Racing, com suporte da Proton Competition, venceu a corrida com Matt Campbell/Cooper MacNeil/Mathieu Jaminet.

Nem o mais otimista dos “Porschistas” poderia imaginar o triunfo do #79 da Weathertech Racing nas 12h de Sebring (Foto: Mike Levitt/IMSA)

Essa foi uma daquelas que ‘cai no colo’, pois no finalzinho, Connor de Philippi resolveu escolher o ponto errado da pista para superar o Corvette C8.R muito bem guiado a prova inteira por Antonio Garcia e os dois perderam o controle de seus carros. O piloto da BMW foi penalizado, o Corvette teve danos e ficou fora do pódio – mesmo com um princípio de incêndio durante uma parada de box, o #24 de John Edwards/Jesse Krohn/Augusto Farfus conquistou um ótimo 3º lugar no final da disputa na GTLM.

Já na GTD, mesmo partindo do fim do pelotão – penúltimo tempo no grid, por problemas no sensor do ABS – o #9 da Pfaff Motorsports teve cacife para recuperar e ganhar com Lars Kern/Zach Robichon/Laurens Vanthoor em dobradinha com outro 911 GT3-R, este da Wright Motorsports e tocado por Patrick Long/Jan Heylen/Trent Hindman.

E por pouco não foi um “Pórschio” na categoria para a marca teut^ônica, já que o Team Hardpoint EBM reunía chances com o #88 de Bia Figueiredo em seu retorno `às pistas junto a Christina Nielsen e Katherine Legge. Mas um enrosco ao final entre Legge e Andy Lally no Acura NSX da Magnus With Archangel, custou o pódio ao “Girl Power”: o terceiro posto final foi do Aston Martin da The Heart of Racing.

Outra “panca” de respeito eliminou dois dos concorrentes da GTD ainda na primeira metade: o Lambo da Grässer guiado por Franck Perera acertou em cheio a Mercedes-AMG com Billy Johnson e os dois se esborracharam na proteção de pneus. No impacto, a junção dos blocos de concreto após os pneus se desfez, tamanha a velocidade e a força. O muro deve ter se movido quase 2m de lugar…

Agora, teremos de esperar por mais um tempo até a próxima etapa. A situação da Pandemia – que já esteve muito pior nos EUA, aliás – impediu a realização do GP de Long Beach na data prevista e a corrida foi adiada para 25 de setembro. A próxima etapa será em Mid-Ohio no dia 16 de maio, com duração de 2h40min e participação das classes DPi, LMP3 e GTD. Para esta última será o início do campeonato paralelo IMSA Weathertech Sprint Cup.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

6 Comentários

  • Bem, realmente a marca desta edição foram os vencedores improváveis, mostrando que o endurance pode até perdoar alguns erros e problemas, mas desde que eles não aconteçam nas duas últimas horas e prova. Dixon que o diga. Ao mesmo tempo que, caso se tenha problemas no início, desde que não comprometa a performance do carro ao longo da corrida, não se deve desistir jamais da disputa…uma vitória “cai no colo” quando se está no lugar certo e na hora certa, como o Porsche “azarão” na GTLM.
    Acompanhei esta corrida inteiramente pelo time & scoring do site do IMSA, e pelos excelentes boletins do A Mil Por Hora no youtube. Mesmo assim, fiquei interado do que rolou na prova, mas vou conferir assim que forem disponibilizados os vídeos da corrida.
    Vi o pessoal descendo o porrete no canal do grupo Disney por conta da cobertura e a não transmissão da largada. Eu, sinceramente, não me surpreendo pois, nessa aquisição chamada erroneamente de fusão entre os canais, prevaleceu a programação e a linha editorial da ESPN, que nunca deu muita atenção para automobilismo. As demissões atingiram majoritariamente, apresentadores e repórteres do Fox Sports, com exceção de poucos. Talvez segurem por algum tempo apenas Moto GP e Nascar…já se desfizeram da FE e não boto muita fé na continuidade do IMSA e WEC por lá não. Aliás, como comentei em uma das lives, o canal que por anos foi o local onde víamos essas e outras corridas, infelizmente, não existe mais.

    • “Assino embaixo” seus comentários. Aliás escrevi isso quando postei o aviso das corridas neste final de semana lá no FB. Mal fazem as chamadas das corridas, nem me lembrava que teria Sebring. Também acredito que vão segurar as competições enquanto durarem os contratos. Aliás, falando em grupo disney, acho sensacional a chamada do “novo” Sportcenter, que segundo dizem, é o melhor programa de esportes do mundo, obviamente falando majoritariamente em futebol…

  • Fiquei muito feliz pelo desempenho da Bia na corrida, apesar de “enferrujada”, mandou muito bem.

    Bom ver ela de novo acelerando, independente do rolo que do marido dela.

    • Infelizmente, como tem se tornado comum aqui e em boa parte do mundo, o simples fato de estar sendo investigada a tornou culpada, situação muito diferente entre a classe política e certa camada da sociedade… Carreira queimada aqui no Brasil e realmente não lembro de protestos dos colegas de profissão sobre isso. Acho que todos ficaram caladinhos para segurarem suas vagas nas equipes. Torço muito para que ela retome a carreira e quem sabe, totalmente fora do Brasil, sendo feliz e acelerando sempre.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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